Especialista da ABTPé explica que praticar atividade física lesionado traz riscos à recuperação e pode agravar uma lesão

Região é a mais afetada no esporte de alto rendimento

O tornozelo é uma das partes mais lesionadas em diversas modalidades esportivas. Nos Jogos Olímpicos que estão ocorrendo em Tóquio, no Japão, problemas nessa articulação já acometeram alguns atletas.

Um exame feito na quinta-feira (29), confirmou uma entorse no tornozelo direito de Macris, levantadora titular da seleção feminina de vôlei.

A jogadora se machucou na partida contra o Japão e, assim que sofreu a lesão, no momento em que aterrissou após um bloqueio, sentiu muitas dores e precisou ser retirada de quadra para o primeiro atendimento.

A skatista Pamela Rosa, campeã mundial em 2019 e que ficou em 10º lugar nas eliminatórias do skate street feminino, postou em suas redes sociais a imagem do seu tornozelo completamente inchado e revelou que estava competindo administrando uma lesão no local.

Já a ginasta Flávia Saraiva, ao fazer uma acrobacia do solo, machucou o tornozelo, que já vinha incomodando há algumas semanas. A jovem relatou uma lesão no local há dois meses e, que no meio da apresentação nas Olimpíadas, sentiu um falceio na articulação. Flávia disputará a final da trave, no dia 3 de agosto.

“A articulação do tornozelo sustenta praticamente todo o peso do corpo, faz a interface entre a perna e o solo e, na prática de esportes, frequentemente é acometida por torções”

explica o presidente da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé), Dr. José Antônio Veiga Sanhudo

Quando uma entorse de tornozelo acontece, por exemplo, um ou mais ligamentos no lado interno ou externo (mais comumente) sofreram estiramento, ruptura parcial ou ruptura total e o tratamento inadequado pode deixar sequelas definitivas.

A gravidade da lesão varia de acordo com o grau de ruptura das estruturas ligamentares e é classificada de I a III.

  • Grau I – leve (distensão): estiramento leve dos ligamentos, com pouca dor e pouco inchaço.
  • Grau II – moderado: ruptura parcial dos ligamentos e instabilidade da articulação, com presença de inchaço e dificuldade para movimentação. Dor de intensidade moderada.
  • Grau III – grave: ruptura total dos ligamentos e muita instabilidade no tornozelo, com dor mais intensa e dificuldade para apoiar e caminhar.

O presidente da ABTPé lembra que, muitas vezes, a fase de um campeonato ou a importância de uma partida faz com que o atleta empurre o seu limite para alcançar o seu objetivo ou ajudar a equipe, mas as consequências desta atitude podem ser muito graves.

“A dor de uma lesão sempre diminui o desemprenho (performance) do atleta e, desta forma, mesmo em campo ou em quadra, ele não vai estar rendendo na sua plenitude. Além disso, lesões parciais ou leves podem se tornar completas ou graves se o devido repouso não é respeitado”

ressalta

O especialista fala ainda que, algumas vezes, lesões que poderiam ser tratadas conservadoramente acabam necessitando de cirurgia devido ao agravamento provocado pela manutenção da atividade física.

Outro ponto importante, destaca o médico, é que a dor em uma articulação faz com que ela seja protegida voluntária ou involuntariamente, minimizando esforços para diminuir sintomas.

“Este mecanismo defensivo pode provocar uma sobrecarga do membro contralateral ou de outras articulações do mesmo lado, aumentando a chance de desenvolver outras lesões, às vezes até mais graves”

conclui

Sobre a ABTPé

A Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) foi fundada em 1975 com a missão de unir a classe médica na especialidade, além de estimular o intercâmbio de informações científicas, fomentando a educação continuada entre os especialistas de pé e tornozelo no Brasil. Também tem a responsabilidade de esclarecer a população sobre os temas relacionados à especialidade.

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