A novidade no futebol tupiniquim agita bastidores e fazem torcedores ficarem eufóricos com possíveis milagres de gestão

A SAF é a solução dos problemas no futebol? Não é bem assim

Nas últimas semanas as torcidas do país estão se agitando e muitos sonhando com um bilionário benevolente que apareça e compre um monte de craques para seu time de coração.

A SAF, Sociedade Anônima do Futebol, desde sua aprovação no congresso gera uma enxurrada de devaneios e anseios nos torcedores.

O que muitos não entenderam que a SAF da a possibilidade ao clube de entrar em uma prospecção para encontrar investidores que auxiliem o mesmo a sanar problemas e que o investimento no clube seja coeso, coerente e funcional. Afinal uma empresa busca o que? Lucro.

E ninguém ira investir em uma empresa/clube sem organizar a casa, ter pleno conhecimento das dívidas do clube, renegociar todas, adequar a folha salarial a realidade do clube e fomentar infraestrutura para o desenvolvimento do clube.

A visão que podemos sonhar em um futuro um tanto distante quando a SAF adequar-se e evoluir, finalmente podemos falar de ser cortado o cordão umbilical dos clubes com a CBF, pois a CBF deve ser somente o órgão que da a outorga ao campeonato e controla as seleções.

A SAF é uma ferramenta que da certo sim, dezenas de países já mostraram isso, mas não é nenhum milagre. Para o sucesso de um clube neste modelo de gestão um conjunto de ações e ferramentas devem ser implementadas. Mas enquanto mantiverem os velhos caxias do futebol e os vínculos com as facções criminosas, nada será mudado infezlimente.

Mas o que é uma SAF?

Neste modelo, a equipe se torna oficialmente um “Clube-empresa”, que dá a investidores garantias legais de seus aportes, que podem ser feitos tanto em pequenas porções (como na venda de ações de uma empresa), quando na aquisição de grande parte da entidade, como no exemplo de Ronaldo com o Cruzeiro e o da empresa de Textor, a Eagle Holding, com o Botafogo — caso este último acordo seja aprovado pelo Conselho Deliberativo do Alvinegro.

Isso é possível no Brasil desde agosto deste ano, quando a lei Lei nº 14.193/2021 foi sancionada. Antes disso, clubes de futebol do Brasil eram em sua maioria tratados como associações sem fins lucrativos.

Além de Cruzeiro e Botafogo, equipes como o Cuiabá se encaminham para passar pelo mesmo processo. A promessa é que, além do aporte financeiro, os clubes adquiridos tenham também uma gestão mais profissional. Com a entrada no negócio, Ronaldo atuará como um fiador para a dívida de R$ 1 bilhão do Cruzeiro e o mesmo deve acontecer na relação do Botafogo com a Eagle Holding.

Na Europa, onde é mais comum que clubes sejam tratados como empresas – com donos e acionistas –, Ronaldo já se aventura no comando de sua própria equipe. Desde 2018, o ex-atacante é sócio majoritário do Real Valladolid, que no momento frequenta a segunda divisão espanhola. John Textor é um dos quatro donos do Crystal Palace, que joga a Premier League inglesa.

Os R$ 400 milhões desembolsados pelo Fenômeno na compra de 90% do clube mineiro serão revertidos aos cofres da equipe, mas não devem ser direcionados a reforços imediatos. Os fundos são parte do dinheiro que deve ajudar a reerguer o Cruzeiro nos próximos anos. Já em relação ao Botafogo, os próximos meses deverão trazer mais novidades.

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