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De volta à Série A1 após 7 anos, a passagem da Portuguesa pelo Paulistão pode ter sido meteórica

Quando em abril de 2022, Portuguesa e São Bento se enfrentaram no Canindé pela final da Série A2 do Paulistão, poucos poderiam imaginar que as duas equipes em menos de um ano estariam ali novamente disputando uma outra decisão. Dessa vez, um cenário completamente diferente: a luta contra o rebaixamento.

Naquela ocasião, a Lusa jogou para mais de 13 mil torcedores e sagrou-se campeã vencendo por 2 a 0. Dessa vez, pouco mais de 2 mil testemunhas viram o amargo 0 a 0 que praticamente selou o rebaixamento do time do Canindé e deixou o Bentão com boas chances de escapar, com ainda uma rodada por jogar.

Ao chegar ao Canindé, o torcedor logo pôde notar o clima hostil. Torcedores organizados entoavam cânticos de protesto e espalhavam cartazes nos arredores do estádio. Os principais alvos eram o presidente Antonio Carlos Castanheira e o agora ex-diretor de futebol Toninho Cecílio.

A principal alegação contra o mandatário e o dirigente foi o péssimo planejamento para a disputa do Paulistão. Pesou também contra Castanheira a venda do mando do jogo contra o Corinthians – único clássico com mando da Portuguesa e primeiro após 7 anos – para Brasília.

Planejamento errado desde o princípio

Eliminada na Copa Paulista em outubro e em busca de um treinador no mercado após a queda de Sérgio Soares, a Lusa demorou para anunciar sua escolha. Mazola Jr só foi anunciado em novembro, após o termino da Série B que disputou com o Novorizontino. Os reforços só começaram a ser anunciados durante o mês de dezembro.

Foi justamente com os reforços que a Portuguesa começou a sacramentar seu caminho de volta em direção à Série A2, 7 anos após ter retornado à elite.

Na linha de defesa, a direção optou pela experiência. Na lateral direita, Pará, rebaixado na Série B com o Brusque. No miolo de zaga apostou em uma única contratação, Victor Ramos, que estava na Chapecoense.

Pará fez jogos bons com a camisa rubro-verde, mas o ex-santista de 37 anos nitidamente sentia uma queda física durante os jogos. O reserva escolhido para a posição foi Ramón Rocha, um lateral revelado pelo Palmeiras e com passagens por Cruzeiro e Novorizontino, e que pasmem, nunca havia entrado em campo profissionalmente. Um erro irremediável.

Ramón, por sorte, só precisou ser titular uma vez, numa partida contra a Inter de Limeira no Canindé em que Pará estava suspenso. Jogou 45 minutos. Foi suficiente para que poucos dias depois fosse dispensado.

Victor Ramos também foi dispensado na metade do campeonato, mesmo tendo sido titular durante todo o período que foi jogador da Portuguesa, e acumulando falhas.

No meio, as escolhas foram Madison, Gustavo Bochecha, Lucas Nathan. Nenhum desses agradou e acabaram virarando alvos da torcida após exibições fracas.

Pro ataque, provavelmente o erro mais fatal. A Lusa confiou a camisa 9 numa aposta. Pedro Bortoluzo, centroavante revelado no São Paulo com passagem discretíssima por diversos clubes brasileiros e que estava em Singapura.

Como se não bastasse a evidente incapacidade técnica, Bortoluzo se machucou ainda na terceira rodada e não pôde seguir. Coube ao menino Paraizo, destaque do último Paulistão sub-20 o fardo de fardar a 9 da Lusa numa extrema fogueira.

Com o fracasso dos reforços, a torcida lusitana logo começou a sentir saudades de alguns dos jogadores da campanha da série A2. O mais lembrado talvez seja Gustavo França, que havia sido vice-campeão da Série C com o ABC, mas foi dispensado a pedido de Mazola Jr. Para seu lugar, chegou Lucas Venuto, um atacante que soma pouquíssimos minutos em campo nos últimos anos em Santos, Guarani e Sport. Mais um elo se fechava.

Confusão interna

Após a derrota para o Água Santa em Diadema em mais uma péssima partida da Lusa, o então dirigente Toninho Cecílio esbravejou perante os microfones da imprensa contra a arbitragem, valorizou o elenco montado por ele e garantiu Mazola Jr no cargo.

Mazola, no entanto, caiu poucas horas depois. Toninho cairia após algumas semanas.

Para o comando técnico, a Lusa escolheu Gilson Kleina para tentar apagar o incêndio e tentar evitar um provável rebaixamento.

Na sua chegada, gerou-se a expectativa que a Lusa poderia ir atrás de reforços que pudessem mudar o rumo da equipe na competição, uma vez que ainda contava com duas vagas disponíveis.

Não aconteceu. A única novidade foi a chegada por empréstimo do lateral-esquerdo Ângelo, ex-Brusque e que estava no Coritiba. Ângelo só fez uma partida como titular.

Com Gilson, a Lusa teve várias chances de sair da zona do rebaixamento, muito mais por incompetência dos adversários do que dela própria, mas desperdiçou todas categoricamente.

Terá a última delas no próximo domingo, quando enfrenta o Mirassol fora de casa e terá que operar um milagre para se salvar.

A torcida vê escorrer pelos dedos o fio de esperança que se acendeu com o acesso na Série A2 e as incertezas quanto ao futuro do clube passam a novamente assombrar o Canindé.

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