De acordo com o Banco Mundial, a pesca esportiva movimenta hoje em torno de 700 bilhões de dólares. No Brasil por sua vez, em dados divulgados pelo SEBRAE, esse número ultrapassou a faixa de 1 Bilhão. Assim uma das atividades de subsistência mais antigas da humanidade vem se tornando uma prática esportiva de bilhões de dólares, movimentando diversos polos econômicos e ganhando destaque entre as atividades ao ar livre.

Não é só o atual presidente russo que tem entre suas principais atividades de lazer a prática da pesca recreativa. Os ex-presidentes norte americanos George Washington, Grover Cleveland, Hebert Hoover, Jimmy Carter, Dwight Eisenhower e Franklin Delano Roosevelt também eram apaixonados pela pesca, considerada um esporte e uma fonte de lazer, uma forma de fugir dos holofotes dos afazeres presidenciais, a pesca proporcionava a tranquilidade necessária para um relaxamento ou até mesmo para tomada de decisões difíceis.

O Brasil também tem sua cota de presidentes pescadores, como Luiz Inacio Lula da Silva e o atual Presidente Jair Messias Bolsonaro. Ambos já foram flagrados praticando a pesca recreativa em momentos de lazer.

Seja no mar, em rios, em lagos ou pesqueiros o número de praticantes desse esporte cresce de forma acelerada pelo mundo e também no Brasil, detentor dos títulos de maior bacia hidrográfica e maior biodiversidade aquática do mundo.

Recentemente o Kremlin divulgou em seu sítio oficial diversas fotos de uma expedição de pesca feita pelo presidente russo na Sibéria. Tal fato surpreendeu muita gente, afinal, a pesca historicamente é conhecida por ser uma atividade pacata que requer muita paciência.

Mas o que a pesca, uma atividade pacata, poderia proporcionar a pessoas como o presidente russo e ainda, como seria possível essa prática milenar se tornar um importante nicho do turismo mundial, movimentando bilhões de dólares? O Dr. Thiago Henrique Fantini, fundador do Clube da Pesca.org, um instituto que atua na pesquisa e promoção da pesca esportiva, explica os possíveis motivos de tantas pessoas, inclusive muitos líderes Mundiais, serem apaixonadas pela pesca:

“A pesca recreativa deixou de ser aquela atividade pacata que muita gente conhecia. Ao longo dos anos, principalmente na última década, se transformou numa atividade esportiva frenética. Os prazeres exaltados ao capturar um peixe ficam marcados nas feições e na memória do pescador de tal forma que aquele esporte se torna um vício. E existe sim uma explicação fisiológica pra isso: O sistema límbico do cérebro humano busca prazer e recompensas, sendo que as sensações de prazer e recompensas são uma parte necessária da sobrevivência humana, como a sensação que você tem quando conquista algo difícil ou, por exemplo, quando é elogiado por seu chefe ao realizar um trabalho que dá certo. No momento da captura de um peixe, o cérebro libera uma substância química feliz (endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina), que ativa sistema límbico, conhecido também como centro de prazer do cérebro. É justamente isso que faz o praticante da pesca esportiva viciar naquele momento, no momento da fisgada, da briga com o troféu além do relaxamento pacífico que inunda o corpo logo após a captura.”

Partindo então do princípio fisiológico explicado pelo Dr. Fantini, é compreensível que o presidente russo, popularmente visto como uma pessoa viciada em ação, tenha entre suas atividades preferidas a pesca recreativa, ou esportiva propriamente dita.

Além disso, fatores como o meio ambiente onde a pesca é realizada, a busca por peixes maiores, a busca por espécies endêmicas ou regionais acarreta uma grande movimentação financeira, aquecendo toda a macroeconomia que gira em torno do turismo de pesca.

Todos esses fatores acima explanados são um claro sinal de que a pesca vista como atividade recreativa e como esporte é um novo conceito que aos poucos vai ganhando popularidade, sendo certo de que o turismo consequente resulta em um desenvolvimento sustentável das regiões onde as práticas acontecem, trazendo benefício a uma cadeia econômica complexa e abrangente.

Assim como em muitas práticas esportivas a pesca também necessita de um condicionamento físico e mental, aonde o pescador chega a arremessar a isca por mais de mil vezes ao dia. Existem modalidades ainda que unam á pesca outros esportes, como o caiaquismo onde o pescador além de arremessar por milhares de vezes a isca artificial e recolhê-la em busca do troféu, também precisa remar constantemente, por dezenas de quilômetros. Junte isso com as sensações de prazer da captura do peixe, desenvolvimento sustentável e turismo ecológico e pronto, tem-se a definição de Pesca Esportiva.