O surgimento da pandemia levou a sociedade a inúmeras mudanças de comportamento, incluindo o cuidado com a saúde. Graças à tecnologia, mais de 7,5 milhões de atendimentos foram realizados via telemedicina, por 52,2 mil médicos, no período de 2020 a 2021, no Brasil. Os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital (Saúde Digital Brasil).

Neste mesmo período, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) atestou, mediante pesquisa, que 90% dos pacientes resolveram seus problemas de saúde sem sair de casa, após participarem de teleconsultas e acompanhamento on-line. A tendência é que os serviços de saúde nessa modalidade se mantenham em alta em 2022 e entrem de vez na rotina das pessoas.

A aceitação de 41% dos brasileiros do uso da telemedicina no Brasil foi confirmada também por uma plataforma de cuidado integrado da saúde, que fez uma pesquisa em parceria com o Datafolha. Fatores como a impossibilidade de risco de transmissão de doenças, o uso de prontuários e históricos eletrônicos disponíveis na nuvem, a economia de tempo e facilidade no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, de forma prática e segura, foram eleitos pelos entrevistados como benefícios da modalidade de atendimento on line.

Além das consultas remotas, a automatização de processos dos serviços relacionados à saúde de maneira geral, como realização de exames, utilização de prontuários, e prescrição de receitas, todos on-line, foram elencados pelo Portal Telemedicina como fatores que tendem a crescer mais ainda em 2022, mesmo diante do otimismo com o recrudescimento da crise sanitária.

Especialista no ramo da indústria farmacêutica há mais de oito anos, Marcelo Henrique Magro sentiu a mudança na dinâmica de trabalho. “Quem trabalha com vendas sabe da importância de estar junto aos clientes, ainda mais tratando-se de um assunto tão importante, que é a saúde. No entanto, com a pandemia instalada não houve escolha e a indústria, assim como vários setores, aderiram ao método digital. Dessa forma, os representantes e consultores passaram a visitar os médicos virtualmente”, disse o profissional que atua como representante comercial de medicamentos biológicos.

Apesar disso, Magro acredita que o futuro está calcado cada vez mais na fusão da tecnologia com a humanização. “Como impactar os clientes sem visitá-los? Como se aprofundar em um estudo científico sem olhar no olho do médico? Como passar credibilidade à distância? Essas foram algumas das perguntas que todos nós nos fizemos quando a quarentena foi instaurada. No início, como com toda mudança, houve um pouco de ansiedade e medo com esse novo modelo, porém, os médicos também se adaptaram e se planejaram melhor para conversar com os consultores. O tempo passou e esse modelo continuou. Isso causou uma quebra de paradigma, pois todos viram que era possível prestar uma consultoria de qualidade, mesmo sem estar presente no consultório médico”, ressaltou Magro.

Em tempos de pandemia, a humanização da experiência do paciente, inclusive, é uma das apostas do setor para garantir satisfação do cliente, criando um ambiente de transparência entre médico e paciente e abrir um canal de diálogo sobre as melhores opções de tratamento no âmbito digital.

“Esse cenário crítico nos ensinou muita coisa. As empresas aprenderam que, sim, é possível manter suas operações num modelo virtual e até híbrido, mas que o afeto e o contato humano são insubstituíveis”, opinou o especialista no ramo da indústria farmacêutica.