O termo Golden Hour, mais conhecido como Hora Dourada ou mesmo Hora Mágica, é a primeira hora de vida após o nascimento do bebê. Esse momento é considerado oportuno, pois logo após o parto representa o espaço que visa priorizar a oportunidade de ouro para contato pele a pele proporcionando dessa forma o fortalecimento dos vínculos afetivos entre mãe e recém-nascido, diminuindo, assim, futuros riscos para a saúde do bebê e estabelecendo a amamentação efetiva e com sucesso.

Um estudo realizado na Índia evidenciou que os recém-nascidos amamentados já na primeira hora de vida possuem 22% menor risco de mortalidade, se comparados com outros que não vivenciaram esse momento com suas genitoras. Ainda, o mesmo estudo comprovou que o risco de mortalidade neonatal aumentou em 78% em bebês que iniciaram o aleitamento materno tardiamente.

A especialista em Saúde Coletiva, Layse Cavalcanti explica que os benefícios não são somente para o bebê, mas para o binômio mãe-filho. Pois, para a mulher, amamentar já na primeira hora após o parto favorece a descida do leite e diminui os riscos de hemorragia pós-parto, uma vez que há estimulação da liberação imediata de hormônios como a ocitocina, que tem a função tanto de ejeção do leite quanto de contração uterina, esta última, por sua vez, é considerada essencial para recuperação da puérpera (mulher até 45 dias pós-parto).

Para somar aos benefícios da Golden Hour a presença do colostro traz os aspectos imunológicos e probióticos que fortalecem o desenvolvimento imunológico em bebês prematuros, favorecendo também nos fatores de crescimento motor e intelectual. Além disso, estimula a criação e o fortalecimento de um vínculo maior entre mãe e bebê, auxilia a colonização do trato gastrointestinal do bebê por bactérias boas advindas da microbiota materna, controla os batimentos cardíacos do bebê, diminui as chances de hipotermia (temperatura baixa) e hipoglicemia (diminuição da taxa de glicose no sangue).

Tendo em vista a cadeia de benefícios da Hora Mágica, o estímulo em amamentar ainda na sala de parto também está diretamente relacionado ao sucesso de maiores taxas para adesão ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses, trazendo, assim, uma gama de vantagens baseadas em práticas e evidências científicas.

Autora: Layse Cavalcanti. Enfermeira Sanitarista, bacharela pelo IFPE, possui residência em Saúde Coletiva, atua em Saúde da Família. Também conta com Consultoria em Gestão na Saúde e realiza Exame Citopatológico com assistência Humanizada.