O aquecimento global vem acontecendo desde a década de 1950, se intensificou após os anos 70 e os efeitos atualmente estão se manifestando em maior escala, com a ocorrência de eventos extremos associados, como a sobreposição de ondas de calor e de seca ou de chuvas intensas que podem resultar em grandes desastres, como aconteceu em Petrópolis (RJ). O Brasil vive uma estação de estiagem que se prolonga desde 2019.

“Em 1978, com o relatório Brundtland, surgiu a necessidade para ser implantado um novo modelo civilizatório, pautado na ideia de desenvolvimento sustentável. Esta proposta tem estado sempre presente em conferências internacionais, buscando um desenvolvimento que seja ambientalmente suportável, economicamente viável e socialmente justo”, salienta Vininha F. Carvalho

As emissões de gases de efeito estufa aumentaram 50% nos últimos 30 anos. “Neste período, a temperatura da Terra aumentou cerca de 1°C, devendo chegar a 1,5°C nas próximas décadas”, explica Kenneth E. Bentsen Jr, CEO da GFMA e presidente e CEO da SIFMA. “É necessário realizar um rápido dimensionamento dos mercados de carbono para mobilizar um investimento estimado entre US$ 100 a US$ 150 trilhões em diferentes setores e regiões e frear o aumento nas temperaturas”, pontua.

Os investimentos dedicados ao clima cresceram 10% no biênio 2019/2020, atingindo US﹩ 632 bilhões no mundo por ano de acordo com o levantamento Panorama Global do Financiamento do Clima 2021 (Global Landscape of Climate Finance 2021), elaborado pelo Climate Policy Initiative (CPI). O estudo oferece a mais abrangente visão do financiamento global do clima e adota intervalos de dois anos para coleta com o objetivo de suavizar efeitos de eventos não recorrentes.

A ONU se pronunciou sobre o impacto do aquecimento global à humanidade, decorrente da emissão de gases do efeito estufa que, pela emissão contínua, podem romper o limite de temperatura em pouco tempo. Este foi o relatório emitido pela ONU, por meio do Painel Intergovenamental sobre Mudanças Climáticas ou Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC), órgão criado em 1988 para fornecer aos governos informações científicas sobre a utilização das políticas sobre aquecimento global, sendo que o seu primeiro relatório foi publicado em 1992, o qual já apresentou avaliação abrangente sobre o clima e suas respectivas mudanças. “O processo para o efeito estufa se dá pela queima de combustível fóssil, petróleo e carvão, para geração de energia em larga escala, cujo processo libera a emissão de gás carbônico (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4)”, relata Vininha F. Carvalho.

O metano é gás de efeito estufa (GEE), mais nocivo e ao mesmo tempo com duração na atmosfera bem inferior ao dióxido de carbono (CO2). Por isso, o corte nas emissões deste gás tem efeito mais rápido para frear o aquecimento global.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o metano tem sido responsável por cerca de 30% do aquecimento global desde a época pré-industrial e, em um período de 20 anos, é 80 vezes mais potente para elevar a temperatura da Terra do que o CO2. Cerca de um terço das emissões deste gás causadas pelas atividades humanas vêm da agropecuária. A produção do metano pelo gado vem do esterco e das liberações gastroentéricas, ou seja, o processo de digestão dos animais.

“Este assunto não deve se resumir a discussão entre empresários, políticos e cientistas. Ele requer o envolvimento de toda a sociedade, além da adoção de uma política nacional ambientalmente adequada e que proporcione a redução necessária para o controle das emissões do gás metano”, finaliza Vininha F. Carvalho.