Depois do boom no mercado de bicicletas durante o pandêmico ano de 2020, há muitas incertezas sobre a continuidade do ritmo de crescimento do setor de ciclismo no Brasil. Mas dados recentes mostram que o avanço veio mesmo para ficar.

De acordo com levantamento realizado pela Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), as vendas de bicicletas continuam a pleno vapor. Apesar de terem recuado 2% em 2021 em relação ao ano anterior, o saldo é positivo, já que as vendas em 2020 bateram recordes históricos no país (aumentaram 50%, se comparadas com 2019).

Levando-se em conta os dados consolidados dos dois últimos anos, a comercialização de bikes está acima do patamar pré-pandemia. E a previsão para 2022 é de manutenção desse patamar, expectativa que, segundo especialistas da área, baseia-se não apenas nas vendas de bicicletas, mas sobretudo no forte crescimento de todo o ecossistema que envolve o ciclismo, como seguros, serviços de mecânica e revisão, acessórios e vestuário especializados.

Bike como estratégia de inovação

Criada em 2019, a startup Santuu tem uma trajetória que retrata bem esse panorama. Definida pelos sócios como um ecossistema da bike, criou um clube de serviços para ciclistas, o Clube Santuu, que funciona como uma plataforma digital.

O crescimento expressivo do número de usuários da plataforma ilustra a demanda exponencial do setor: de 2019 para 2020, o Clube registrou um aumento de 412% no total de cadastrados. De 2020 para 2021, esse percentual foi de 307%, o que em números absolutos significa 27 mil usuários atuais, com média de dois mil novos inscritos mensais previstos para 2022.

O faturamento da empresa também é exemplo do potencial financeiro do mercado de ciclismo: a meta de fechar 2021 em R$ 3,5 milhões acabou por ser superada pelo surpreendente valor de R$ 6,5 milhões de faturamento no último ano. Agora, diante das boas perspectivas do ramo, eles miram terminar 2022 com R$ 12 milhões.

“Por constituírem uma atividade relativamente nova no Brasil, os negócios voltados ao ciclismo exigem doses de ousadia, inovação e visão de futuro, atitudes necessárias para acompanhar um mercado que, segundo todos os indicadores, segue em alta neste e nos próximos anos”, como afirma o cofundador e CEO Rodrigo Del Claro.

Para isso, a startup decidiu diversificar: tem em seu portfólio desde reparo gratuito de bicicletas e pontos de apoio em locais estratégicos até seguros para bike, atualmente o carro-chefe do negócio. Ao oferecer serviços para diferentes nichos do mercado da bike, acabou por se tornar um polo em que marcas, profissionais e ciclistas se conectam. “Conseguimos unir forças e liderar um grupo ativo de parceiros com mais de 60 grandes marcas do segmento”, conta Luiz Fabregat, CSO e cofundador.

Produtos financeiros para bike em franca expansão

O Clube Santuu elaborou e formatou o primeiro modelo de seguros para bicicleta no Brasil que serviu de base para todas as seguradoras que hoje operam este tipo de produto no mercado.  Com mais de dez mil seguros ativos e crescimento de 110% registrado no último ano, os seguros de bike Clube Santuu devem alcançar, de acordo com estimativa dos sócios, 15% do mercado total de seguros. A expectativa é que o setor como um todo cresça 30% em vendas de seguros, saindo de R$ 50 milhões em prêmios para R$ 65 milhões.

“Em 2019, havia três seguradoras com produtos exclusivos de seguro para bike. Em 2021, esse número aumentou para dez. E nós do Clube Santuu estivemos presentes em 100% da formatação desses produtos, atuando como consultores de quase todas as seguradoras que oferecem opções para bike”, comemora Rodrigo.

O Clube é fornecedor dos seguros oficiais de praticamente todas as grandes marcas de bike – Caloi, Cannondale, Trek, Scott – e dos maiores varejistas da área, como Decathlon e Conserta Bikes, entre outros.       

Mas eles prometem mais: a ideia da empresa é ser a única a oferecer, já em 2022, a tríade seguros, financiamentos e consórcios exclusivos para bike. “Nosso lema para 2022 é Sprint. Esse tema surgiu quando nos perguntamos: como dar a arrancada final e chegar na frente, em cada lançamento que fizermos? Percebemos que a resposta também está no ciclismo. Como no sprint, o segredo é manter a cadência, trabalhar sempre em equipe, ter estratégia e muito preparo”, finaliza Del Claro.