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Especialistas e estudiosos mostram que o trabalho de confiança e vínculo entre professores e alunos é uma ferramenta importante para que jovens e crianças consigam trabalhar a inteligência emocional e formar o perfil de adulto. Segundo Marilyn Price-Mitchell, pesquisadora americana e doutora em desenvolvimento humano, a partir de seis atitudes, os professores podem ter mais empatia dos alunos – que, assim, se sentem mais valorizados e compreendidos. Essas atitudes em questão estão dispostas no livro da pesquisadora intitulado “Tomorrow’s Change Makers: Reclaiming the Power of Citizenship for a New Generation”.

A partir disso, a proposta é que, caso os estudantes se sintam respeitados e cuidados pelos professores, as chances deles também respeitarem e cuidarem de outras pessoas são maiores. O educador pode, inclusive, auxiliar na formação do cidadão servindo como exemplo de inspiração.

Kethlin Cordeiro, fundadora do Método Happiness, comenta a importância das experiências para o aprendizado e de estabelecer vínculos afetivos com os estudantes. “Acreditamos que ninguém ensina ninguém, que todos aprendemos uns com os outros a partir de experiências significativas. Portanto, o papel do professor não é repassar conhecimento, mas ser facilitador de um processo de aprendizagem ativa, que está correlacionado com os aspectos emocionais e relações positivas. Criar conexão segura é fundamental nesse processo”, diz.

Relações da escola em 2021

A pandemia da Covid-19 e o seu agravamento exigiu ainda mais cautela no retorno às aulas presenciais, influenciando também o pensamento sobre uma educação socioemocional. Rosiane Justino, professora e coordenadora pedagógica de uma escola da rede municipal de Joinville (SC), aponta que, mesmo antes da pandemia da Covid 19, ela já buscava estratégias que favorecem uma escuta ativa dos alunos.

A educadora conta que ouvi-los é criar vínculo e empatia. “Isso nos ajuda a entender, por exemplo, por que alguns estudantes não fazem a tarefa de casa e quais dificuldades estão enfrentando. Nossos professores também estão sendo orientados a ter esse olhar mais cuidadoso”, declara. “Nesses casos, eu diria que demanda o dobro de tempo para construir essas relações, além de mais esforço por parte do professor, já que ele precisa sempre retomar e reforçar o que foi trabalhado.”