O Brasil detém 12% de toda a água doce do Mundo. Mas, a distribuição da água por parte das concessionárias é desigual e muitas regiões vivem em situação de privação hídrica de água potável por conta da falta de saneamento, da poluição, do desmatamento, além do uso excessivo.

“Em paralelo a isso, o novo Marco Legal do Saneamento, divulgado recentemente, estipulou a meta nacional de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News (www.revistaecotour.news).

De acordo com a Pesquisa Saudável e Sustentável 2021, desenvolvida pelo Instituto Akatu e a GlobeScan em 31 países, a pobreza extrema no mundo, a poluição da água e a pandemia de Covid-19 são os principais problemas globais apontados pelos brasileiros. O levantamento, realizado nos meses de junho e julho de 2021, revelou, ainda, que a escassez de água potável, esgotamento de recursos naturais e falta de acesso a cuidados de saúde são temas que preocupam a maioria dos brasileiros.

O Brasil enfrenta uma das maiores crises hídricas dos últimos 91 anos, com as principais hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste apresentando um dos índices mais baixos de armazenamento de água. Um fator extremamente preocupante, visto que essa falta impacta diversos setores além do hidrelétrico, como o energético, agrícola, econômico e industrial. Ou seja, é o principal combustível para a continuidade de todas as atividades humanas do país.

“A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) instituiu um Plano de Contingência para a recuperação de reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN), com a indicação das condições e diretrizes adicionais de operação para os principais reservatórios de regularização a serem adotadas no período úmido, de dezembro de 2021 a abril de 2022. A expectativa é promover o preenchimento dos reservatórios para garantir segurança hídrica”, relata Vininha F. Carvalho.

Para Edson Trajano, professor de Economia do Centro Universitário Módulo, é necessário aumentar os investimentos na produção de energia, sobretudo em alternativas de produção de energia limpa, como a solar e a eólica, para que o país saia da crise. Nesses segmentos, o custo de produção ainda é muito elevado em comparação à energia das hidrelétricas, por isso, requer um subsídio maior do setor público. Em agosto de 2021, o Brasil gerou 16,8% de energia eólica e somente 1,3% de energia solar.

A população continua crescendo e a maioria das cidades se expandindo de maneira desordenada, contribuindo para o agravamento das questões sanitárias. As consequências da dependência hídrica são o aumento de tarifas, escassez e risco de apagões.

“Projetos de curto e de longo prazo precisam ser implantados para corrigir os problemas que ameaçam o abastecimento da população e a geração de energia elétrica, transformando nossa imensa riqueza hídrica em fator de desenvolvimento e qualidade de vida”, conclui Vininha F. Carvalho.