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São poucas as mulheres que conseguem listar mais de quatro sintomas da endometriose. Aliás, o número continua baixo se perguntarmos quais são as causas e quais são os principais tratamentos dessa doença, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. Nos dias de hoje, a desinformação em torno da doença é alarmante, por isso, campanhas de conscientização são extremamente necessárias.

Um exemplo é a cólica – um dos principais sintomas da endometriose – que não deveria ser normal, mas muitas pessoas acham que é. Em 2021, a endometriose foi considerada um problema de saúde pública, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), justamente pela forma como interfere na qualidade de vida da mulher, já que, muitas vezes, ela não consegue sequer levantar da cama para o seus afazeres diários ou trabalhar.

A OMS também aponta que 7 milhões de brasileiras foram afetadas pelo problema em 2019, sendo que 11.790 precisaram de internação. Uma delas é a Tathiane Fátima Bastos da Cruz, enfermeira, 38 anos, que conta ter começado com cólica aos 13 anos, desde a primeira menstruação. “Descobri a doença em 2010, aos 27 anos, quando era casada e tentei engravidar. Desde então venho travando uma batalha contra a doença, sintomas e sequelas. Passei por nove cirurgias até 2019. Como a endometriose não tem cura, continuo em tratamento e tentando controlar a minha dor. É triste quando a pessoa acha que cólica é frescura. Não é. Ter dor não é normal e pode ser endometriose. Por isso, acho tão importante a descoberta da endometriose no início. A minha foi detectada muito tarde”, lamenta Thatiane.

Por isso, campanhas de conscientização precisam ser cada vez mais eficazes e de fácil consumo, ou seja, com uma linguagem efetiva durante a leitura. Pensando nisso, o ginecologista Mauricio Abrão, professor de Ginecologia da FMUSP e o atual presidente da Associação Americana de Ginecologia Laparoscópica (AAGL), está liderando várias ações durante o mês da endometriose, também chamado de Março Amarelo, com a criação de uma cartilha, ativações e conversas nas redes sociais, além de oferecer consultas gratuitas para quem carece de recurso.

“A endometriose é uma doença caracterizada pelo implante de um tecido semelhante ao que reveste a cavidade do útero, mas, fora do útero. A dor severa pode ser intensificada ainda na evacuação, na micção e nas relações sexuais, sendo a principal causa de dor pélvica e de absenteísmo na mulher”, alerta o ginecologista.

Com esse cenário de falta de informação de qualidade e de ajuda para quem precisa, o médico convocou diversos nomes importantes da comunidade médica brasileira, para fazer lives, debates, vídeos informativos e um manual bem didático, repleto de informações detalhadas sobre sintomas, tratamentos, para sanar todos os possíveis questionamentos. “Temos nutricionista, educador físico, psicólogo, entre outros profissionais que fizeram parte desse projeto, colaborando com dicas valiosas que vão trazer melhorias significativas para a vida das mulheres”, explica Mauricio Abrão, que também é Coordenador do Setor de Ginecologia Avançada da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O material servirá como um guia e mais uma ferramenta de conhecimento para acelerar o diagnóstico da doença, que hoje pode levar cerca de 7 a 10 anos. “Quanto mais demora, mais chances a doença tem de se espalhar e afetar outros órgãos, como a bexiga e o intestino, e serem necessárias intervenções cirúrgicas complexas, explica o especialista, idealizador da Nova Classificação da Endometriose, que vem sendo utilizada mundialmente desde novembro de 2021.

Para download da cartilha basta acessar o link: https://www.instagram.com/drmauricioabrao/

As consultas gratuitas serão oferecidas por meio das associações de pacientes, como a Acalentar, Endometriose Gapendi, Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose do Amazonas, entre outras.