Foram realizadas 1,3 milhão de cirurgias plásticas no Brasil, em 2020, de acordo com um levantamento realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica. Do total, 25 mil procedimentos foram para a retirada de implante de silicones (explante) e 105 mil mastopexias – procedimento para reposicionar os seios, sendo a quinta cirurgia estética mais realizada no ano.

A quantidade de explantes realizados em 2020 é 31,6% maior do que em 2019, quando a mesma pesquisa apontou 19 mil cirurgias com este fim, realizadas no Brasil.

Uma técnica em expansão, chamada de mastopexia em “L”,  é capaz de reduzir o tempo dessas cirurgias e oferece a cicatriz horizontal até 65% menor para as pacientes, de acordo com o cirurgião especializado em cirurgia plástica, Dr. Adel Bark Jr. “Usando essa metodologia, podemos eliminar a marca entre as mamas e permitir que a mulher escolha roupas sem se preocupar com esse sinal. A menor incisão reduz o tempo de sutura, o que também diminui o tempo de centro cirúrgico e a exposição da paciente”, afirmou.

O procedimento é indicado para pacientes que desejam levantar ou mudar a forma dos seios, seja por questões de saúde, estética ou de bem-estar.  A cicatriz reduzida é levada em consideração na escolha do procedimento cirúrgico para pacientes que, por exemplo, sofrem com o peso das mamas ou por terem o seio muito reduzido.

É o caso da estudante Isadora Pelacini, de 18 anos, que fez a mastopexia redutora em “L” agora em 2022, devido ao excesso de volume das mamas. “Afetou muito minha coluna e me deixou com a postura errada. Eu sentia dores nos ombros e, o principal, minha autoestima estava afetada. Não me sentia bem daquela forma, não conseguia usar uma blusa mais justa, decotes ou vestidos; não me sentia bonita”, conta. Isadora afirma que a escolha pela mastopexia em “L”, além de todas as vantagens, trouxe mais segurança e satisfação. “Traz mais liberdade na hora de escolher as roupas, especialmente no verão. Estou maravilhada com o resultado e muito mais feliz a cada dia”.

Adel Bark Junior traz em seu currículo mais de três mil cirurgias de mastopexia utilizando a técnica da cicatriz reduzida, ou cicatriz em ‘L’. O método — que tem apresentado preferência absoluta pelas pacientes operadas devido a uma menor incisão — é uma evolução da técnica tradicionalmente realizada, que possui a incisão em formato de ‘T’ invertido.

O método foi criado pelo cirurgião plástico Hollander em 1924, na Alemanha, e replicado por cirurgiões brasileiros nas décadas de 1980 (professor Antonio Roberto Bozola) e 1990 (professor Armando Chiari Junior). Hoje é sistematizado de forma diferenciada pela primeira vez no Brasil.

Segundo Adel, atualmente, o número de cirurgiões plásticos que aplicam essa técnica no Brasil é muito baixo. “Isso porque a grande dificuldade encontrada é a marcação pré-operatória. Por ser complexa e pela individualidade de cada paciente, torna-se difícil realizar a marcação em diferentes mamas, especialmente nas volumosas e com maior queda”.

A sargento da aeronáutica, Tathyane Marcelle Oliveira Silva, de 27 anos, também realizou a cirurgia com em novembro de 2021, buscando a redução no volume das mamas e melhora na saúde. “Eu sentia dor nas costas e desconforto para fazer exercícios. Agora não sinto mais o peso dos seios e estou confortável para fazer qualquer coisa e usar qualquer roupa, mesmo as mais decotadas”, afirmou.

Sistematização – O cirurgião curitibano, Adel Bark Jr, conta que aos poucos eliminou a necessidade da marcação prévia e hoje aplica a técnica em casos cada vez mais desafiadores.

“Eliminando a marcação prévia conseguimos sistematizar uma maneira reprodutível de executar a técnica da cicatriz em ‘L’, tanto que, mais de 95% dos cirurgiões que a aprenderam estão realizando a cicatriz em ‘L’ nas suas pacientes”, diz Adel.

A ausência de cicatriz entre as mamas não aumenta a cicatriz horizontal lateral e não prejudica o formato da mama por apresentar uma incisão menor.

Curso – Com o objetivo de disseminar o conhecimento, o Dr. Adel desenvolveu um curso de especialização, em Curitiba, chamado “Mastopexia em ‘L’ sem segredos”. Até o momento, 30 cirurgiões, todos membros da SBCP, já participaram do curso, que está iniciando sua 5ª edição. Para garantir o melhor aprendizado, as inscrições são limitadas a nove alunos por turma. A última turma iniciou neste dia 17 de fevereiro e seguiu até sábado, dia 19, reunindo cirurgiões de diversos estados do Brasil. Ao todo, são 6 horas de aulas teóricas e 18 horas de prática, que capacitam o cirurgião para a realização da mastopexia em “L”.

Um dos alunos formados no curso, o cirurgião plástico Edson Neto, de Teresina/PI, afirmou que a ausência da cicatriz entre as mamas quebra um dos principais bloqueios das mulheres em relação a esse tipo de cirurgia. “O curso possibilita oferecermos uma nova opção de cirurgia para as nossas pacientes. Além disso, é muito didático e a prática nos fornece mais segurança, controle e aprendizado da técnica para ser reaplicada nas próximas cirurgias”, ressaltou o médico piauiense