Os operadores de contrato de exploração e produção e as empresas autorizadas a exercer as atividades da indústria do petróleo, gás natural e biocombustíveis no Brasil têm até abril deste ano para se manifestarem sobre uma nova resolução que regulamenta a comunicação de incidentes e o envio de informações sobre o resultado das investigações desses casos ocorridos nas atividades do setor. O processo de participação social é resultante de uma consulta pública lançada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que realizará também uma audiência com as partes envolvidas com objetivo de modernizar a regulação nacional e atender os parâmetros internacionais de segurança.

Segundo a minuta da resolução, os novos procedimentos passariam a valer em situações que resultem, entre outros, na poluição e danos ao meio ambiente ou à saúde humana, prejuízos materiais ao patrimônio próprio,  ou de terceiros, interrupção das operações da instalação, assim como na falha dos sistemas de gestão que possibilitaram a ocorrência ou a existência dos fatores causais do incidente investigado.

A busca para aperfeiçoar o arcabouço regulatório vai ao encontro de uma preocupação constante ao redor do mundo: a necessidade de investimentos na segurança da exploração e transporte de petróleo. Só este ano, desastres ecológicos na Tailândia, no Equador e no Peru foram destaques nos noticiários. Neste último país, o vazamento de quase um milhão de litros de petróleo bruto atingiu uma área de proteção de mais de 18 mil km².

Para o engenheiro de Petróleo Bruno William Pires Pereira, a segurança operacional vem sempre em primeiro lugar, acima de qualquer parâmetro de performance. “As atividades de construção de poços offshore, ou seja, no mar, envolvem operações complexas, de alto padrão tecnológico e altos valores associados. Tais atividades são compostas pelas operações de perfuração e completação que, respectivamente, consistem em abrir um caminho em rochas em subsuperfície visando encontrar um reservatório de hidrocarbonetos, que são óleo e gás, e prepará-lo a partir da instalação de equipamentos específicos para produzir tais recursos ou injetar fluidos que ajudem no escoamento de outros poços existentes na mesma região. Uma das principais métricas de performance dessas atividades é tempo e custo”, explica

O engenheiro, que tem mais de 13 anos de experiência em operações de construção de poços em águas profundas, complementa que uma série de medidas precisam ser tomadas para garantir a segurança das operações de extração de petróleo, por exemplo. “Medidas como análise detalhada e prévia de riscos, redundância de barreiras, reuniões de pré-turno e pré-trabalho, gerenciamento de parâmetros e pressões de poço, sistema de intervenções e parada de trabalho em caso de situação insegura, sistemas de isolamento e contenção, permissão de trabalho, auditorias de Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança (QSMS), checklists de segurança, planejamento operacional e planos de contingência detalhados. Todos contribuem para análise de potenciais cenários inseguros nas operações e previnem a ocorrência de incidentes”, endossa.

Segundo Pereira, ações como essas são imprescindíveis para garantir que os trabalhadores retornem para suas famílias em segurança e em pleno estado de saúde, além de garantir a integridade das operações de construção de poços e assegurar que o meio ambiente e a reputação de empresas sejam preservados.

Tecnologia a favor da segurança – Nesse quesito, a maior companhia brasileira de petróleo e gás, Petrobras, tem a ambição de zerar, segundo seu plano estratégico para os próximos quatro anos, quaisquer fatalidades e vazamentos em suas operações. De acordo com o documento divulgado pela empresa, as atividades de extração de petróleo e gás envolverão eficiência operacional mais aguçada até 2026 por meio da visão integrada da demanda e da alocação de recursos.

A prioridade será dada à transformação digital focada nos cuidados e na segurança da exploração de poços do produto em águas profundas. Drones para transporte de cargas como inovação logística, monitoramento ambiental e automação de processos e integração de sistemas farão o papel cada vez mais primordial de mitigar exposições a possíveis riscos.