Mesmo com escalação alternativa e afundado na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026, o Leão da Alta Araraquarense assegura vaga histórica nas oitavas de final

O futebol é capaz de desenhar roteiros que desafiam qualquer lógica tática ou matemática. Na noite desta terça-feira (19), o Mirassol escreveu o capítulo mais importante e surpreendente de sua história ao vencer o Always Ready por 2 a 1, no Paraguai. Com o resultado heroico conquistado fora de casa, o clube paulista alcançou os 12 pontos no Grupo G e garantiu a classificação antecipada para as oitavas de final da Copa Libertadores 2026.

O triunfo ganha contornos dramáticos se analisarmos o panorama geral da temporada do Leão. Enquanto brilha e atinge o topo do continente em sua primeira participação na história do torneio, a equipe vive um calvário no Brasileirão 2026, sofrendo com uma má campanha severa e lutando desesperadamente para evitar o rebaixamento para a Série B.

Escalação alternativa e o brilho na altitude “neutra”

Diante do desgaste físico e da pressão asfixiante que sofre no Campeonato Brasileiro, o técnico do Mirassol tomou uma decisão ousada: mandou a campo uma escalação alternativa preservando seus principais titulares. O duelo, que originalmente aconteceria na altitude boliviana de El Alto, foi transferido pela Conmebol para o Estádio Tigo La Huerta, em Assunção, com portões fechados, devido à crise política e socioeconômica vivida na Bolívia.

Mesmo longe de seus domínios e com um time modificado, o Mirassol soube sofrer e atacar com cirurgia. Os gols da vitória foram anotados por Shaylon, logo aos 10 minutos do primeiro tempo após assistência precisa de Alesson, e pelo iluminado Nathan Fogaça, que balançou as redes aos 81 minutos, sepultando a reação dos donos da casa, que haviam empatado com Jesus Jesus.

Contraste bizarro com o Brasileirão e o problema do estádio

A classificação para o mata-mata consagra uma campanha impecável do Mirassol no cenário internacional, acumulando quatro vitórias em cinco jogos em uma chave que conta com gigantes como LDU e Lanús. O contraste, porém, incomoda a torcida: o futebol vistoso exibido nas noites de Libertadores ainda não deu as caras nos finais de semana do campeonato nacional.

Para piorar as dores de cabeça do torcedor, o Leão dificilmente jogará as oitavas de final em sua verdadeira casa. O acanhado Estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, possui capacidade para apenas 15 mil torcedores. Como a Conmebol exige arenas com capacidade mínima de 20 mil espectadores a partir da fase de oitavas, a diretoria do Mirassol já estuda levar seus confrontos decisivos para a Arena Pacaembu, na capital paulista.

O certo é que, com crise interna ou não, o interior de São Paulo está nas oitavas de final da América. Resta saber se o embalo continental será o combustível necessário para salvar o Leão no front doméstico.


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