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A Copa do Mundo quase sempre premia os melhores: semifinais definidas

  • julho 13, 2026
  • Alex Castro

A elite do futebol e a justiça histórica das semifinais

A Copa do Mundo é um torneio que quase sempre premia os melhores e mais bem preparados projetos. Por mais que os torcedores guardem no coração zebras icônicas como a Itália de 1982, o topo é dos gigantes. De fato, a formação deste quadrante final reflete fielmente a excelência técnica construída ao longo de todo o ciclo. O público apaixonado pode até flertar com os azarões carismáticos nas primeiras fases da disputa internacional. Desse modo, a lógica do favoritismo real prevaleceu sobre o imponderável nos gramados da América do Norte.

Nós, enquanto torcedores brasileiros, podemos até manifestar uma profunda e justa tristeza com o nosso destino. Entretanto, uma análise fria e totalmente desprovida de paixão revela o merecimento técnico dos quatro semifinalistas. A poderosa seleção da França dispensa qualquer tipo de comentário mais detalhado sobre sua assustadora força esportiva. Além disso, os Bleus passaram longe de sofrer qualquer ameaça real de desclassificação precoce nessa Copa. Os atuais vice-campeões mundiais mostraram que seu elenco estrelado entrega muito futebol jogado de altíssima qualidade.

Mbappé comemorando mais um gol em Copa do Mundo. Foto: REUTERS/Brian Snyder

O próximo desafio francês será justamente o confronto contra a sua maior pedra no sapato contemporânea. A seleção da Espanha sofreu com atuações oscilantes, mas acabou aprovada com louvor no teste de fogo. O meio-campo espanhol dita o ritmo das partidas com uma precisão cirúrgica e muito encantadora. Inclusive, o jovem Lamine Yamal confirmou o seu status de estrela global ao desequilibrar as quartas. Embora a posse de bola excessiva não agrade o gosto brasileiro, La Roja executa o que propõe.

O brilho galáctico e a queda dos bravos escandinavos

Dois gols de Bellingham levam a Inglaterra à vitória sobre a Noruega na  prorrogação
Bellingham marcou os dois gols da Inglaterra (Imagem: Reprodução/Twitter/@brfootball)

A badalada seleção da Inglaterra carimbou a sua vaga apostando no brilho de uma liderança jovem. Esqueça o protagonismo absoluto do centroavante Harry Kane na linha de comando ofensiva do time europeu. O meia Jude Bellingham chamou a responsabilidade para conduzir os britânicos à sua quarta semifinal de Copa. Dessa maneira, a valente Noruega acabou eliminada mesmo após fazer a melhor campanha da sua história. Os escandinavos fizeram história ao eliminar a seleção brasileira, mas não seguraram o meio-campista do Real Madrid.

A Noruega chegou a sair na frente do placar e flertou com mais um resultado histórico. No entanto, o peso técnico dos ingleses comandados por Thomas Tuchel começou a ditar as ações táticas. O empate britânico veio ainda na primeira etapa após uma jogada individual de extrema categoria coletiva. Como resultado, a virada por 2 a 1, com dois gols de Bellingham, foi desenhada no início da prorrogação. A estratégia escandinava esbarrou no cansaço físico e na genialidade do jovem camisa dez da Inglaterra.

Os torcedores britânicos celebraram muito a classificação em um jogo que testou os corações em Miami. Thomas Tuchel se consolidou como o segundo técnico estrangeiro a colocar o país nesta fase aguda. A consistência defensiva da equipe inglesa foi a chave principal para neutralizar o artilheiro Erling Haaland. Portanto, o sonho do bicampeonato mundial continua mais vivo do que nunca para os britânicos.

A resistência da América do Sul e o protagonismo de Mbappé

Messi, Alvarez e Lopez comemorando gol do desempate. Kevin C. Cox/Getty Images.

Por outro lado, a tradicional seleção da Argentina carimbou o passaporte mantendo acesa a chama sul-americana. Os atuais defensores do título máximo sofreram muito com o desgaste físico visível de suas peças. Por essa razão, a classificação em cima da Suíça veio na prorrogação após um duelo muito amarrado. O empate por 1 a 1 no tempo regulamentar premiou a forte postura defensiva dos helvéticos. Mesmo desfarelando fisicamente na reta final, os herdeiros de Diego Maradona buscaram forças para vencer.

A vitória argentina por 3 a 1 na prorrogação foi marcada pela enorme reclamação suíça sobre os critérios da arbitragem. Os europeus contestaram fortemente o protocolo da expulsão do atacante Embolo. Alheio às discussões de bastidores, Lionel Messi guiou seus companheiros com muita catimba e inteligência tática nos momentos decisivos. A França confirmou o seu favoritismo absoluto ao derrotar a forte equipe de Marrocos por 2 a 0. O grande destaque da noite ficou por conta da forte liderança técnica de Kylian Mbappé em campo.

O atacante do Real Madrid chama a responsabilidade e dita a velocidade do ataque dos Bleus. Sua presença atraiu a marcação dupla e abre espaços cruciais para os companheiros de equipe. Em suma, a reedição da semifinal do Catar coroou a seleção que controlou o ritmo do jogo. Marrocos se despediu com honras ao se tornar o primeiro país africano com duas quartas na história. Os comandados de Didier Deschamps carimbaram a vaga e seguem firmes em busca do tricampeonato mundial.

Os heróis espanhóis e o desenho do topo do mundo

A Espanha também precisou do tempo extra para despachar a valente e perigosa seleção da Bélgica. O meia Fabián Ruiz abriu o placar aos 30 minutos com um belíssimo chute de fora. Contudo, os belgas buscaram o empate com De Ketelaere e levaram o drama para a prorrogação. Dessa forma, o desgaste físico extremo testou os limites emocionais de todos os atletas em Los Angeles. O goleiro titular Thibaut Courtois precisou deixar o gramado mais cedo por conta de dores musculares.

A entrada do jovem arqueiro reserva Senne Lammens acabou mudando os rumos definitivos do confronto europeu. O goleiro belga falhou ao dar um rebote após um arremate despretensioso. O volante Mikel Merino aproveitou a oportunidade de ouro para colocar os espanhóis na frente. Assim, La Roja garantiu o suado triunfo por 2 a 1 e avançou com honrarias máximas. A atual geração belga se despediu do torneio lamentando mais uma grande chance desperdiçada.

As semifinais deste torneio valorizam as comissões técnicas que plantaram sementes saudáveis nos últimos anos. Os quatro sobreviventes colhem os frutos de processos táticos consistentes e jogadores focados no objetivo. O topo do planeta bola não aceita improvisos de última hora ou atuações covardes baseadas em camisas. O espetáculo ganha contornos dramáticos com duas finais antecipadas que prometem paralisar todos os continentes. De fato, os melhores times venceram os seus respectivos duelos e estão merecidamente a um passo da taça.

Confira os confrontos de semifinais

O palco para a definição dos finalistas da Copa do Mundo está oficialmente montado com duas das rivalidades mais explosivas do futebol global. O primeiro duelo traz o clássico europeu entre Espanha e França, onde os franceses ostentam um histórico superior em mata-matas (4 eliminações contra 2), embora os espanhóis defendam o triunfo da última Eurocopa de 2024. Na outra perna da chave, Inglaterra e Argentina reeditam um embate místico e equilibrado, marcado por vinganças históricas que vão desde o brilho de Maradona em 1986 até o troco britânico com Beckham em 2002. O choque entre La Roja e os Bleus acontece nesta terça-feira, 14 de julho, às 16h (horário de Brasília) no AT&T Stadium, Arlington; já a batalha decisiva entre ingleses e argentinos será na quarta-feira, 15 de julho, também às 16h, no Mercedes-Benz, Atlanta.

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