Bloomberg revela que a fabricante avalia comprar uma equipe ou criar a sua própria — mas o caso Hyundai mostra que especulação não é garantia de entrada

A Fórmula 1 pode estar prestes a ganhar mais um capítulo no seu processo de renovação. A agência Bloomberg revelou nesta semana que a BYD, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, estuda opções para entrar no automobilismo de alto nível — incluindo a principal categoria do esporte, a própria F1, e o Campeonato Mundial de Endurance (WEC).

A notícia sacudiu o paddock e as redes sociais, mas quem acompanha a Fórmula 1 há alguns anos pode sentir um déjà vu. Em 2024 e 2025, rumores semelhantes circularam sobre a Hyundai, que chegou a publicar e apagar rapidamente um vídeo nas redes sociais mostrando um carro de F1 com as cores da marca e a legenda “E se?” Autoracing A provocação foi suficiente para agitar os fãs — mas a entrada nunca aconteceu.

O que diz a Bloomberg sobre a BYD

A fabricante chinesa avalia diferentes formas de participar da F1, incluindo criar uma equipe do zero ou adquirir uma já existente. Um dos principais obstáculos seria o elevado custo de operação, que pode chegar a 500 milhões de dólares por temporada.

A rota preferida da BYD seria adquirir uma equipe já existente. A Alpine, da Renault, surge como candidata natural por competir tanto na F1 quanto no WEC — embora o CEO da Renault, Luca de Meo, tenha rejeitado publicamente propostas de venda e descrito a equipe como essencial para a credibilidade da marca.

Apesar de toda a especulação, a própria empresa ainda não confirmou nada. Nenhum anúncio oficial foi feito até agora, e a BYD não respondeu a pedidos de comentário da imprensa internacional.

Por que o momento é favorável — ao menos no papel

O contexto de 2026 é genuinamente diferente do passado. A Fórmula 1 estreou nesta temporada um novo regulamento de motores que aumenta o peso da energia elétrica nas unidades híbridas — uma reforma justamente pensada para atrair novos fabricantes, como a Audi, que estreou neste ano no campeonato.

Para uma empresa como a BYD, que produz suas próprias baterias, motores e eletrônica de potência internamente, o novo foco em motores eletrificados torna a pesquisa da F1 muito mais relevante para o núcleo do seu negócio do que teria sido sob os regulamentos anteriores.

O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, já declarou publicamente que um fabricante chinês seria “o próximo passo lógico” para o esporte, após a chegada da Cadillac ao grid.

A BYD ultrapassou a Tesla em vendas de veículos totalmente elétricos em 2025, entregando mais de 2,25 milhões de unidades contra 1,63 milhão da rival americana. Suas vendas no exterior superaram 1 milhão de unidades pela primeira vez, um crescimento de 150%.


O fantasma da Hyundai: quando o rumor não virou realidade

A história recente da F1 guarda um precedente importante. O executivo Cyril Abiteboul, chefe da Hyundai Motorsport, classificou o post viral sobre a entrada da marca na F1 como “um post mal planejado do marketing na Coreia” e foi direto: “Não há projeto de F1. Já temos muito a fazer com nossos dois programas.”

Questionado sobre as chances de a Hyundai entrar na F1, Abiteboul foi categórico: “Acho que não estamos prontos para a Fórmula 1. A Fórmula 1 é um mundo próprio.” Grande Prêmio A fabricante coreana optou por concentrar seus esforços no WRC e na preparação de um protótipo para o WEC e Le Mans.

A lição é clara: intenção, capacidade financeira e alinhamento tecnológico não são suficientes. Entrar na F1 exige negociações longas, aprovação dos demais construtores e uma estratégia de marca que justifique cada centavo gasto.

BYD tem músculo, mas a F1 tem suas próprias regras

O Acordo Concorde vigente, que vai até 2030, prevê espaço para uma 12ª equipe. A Cadillac pagou uma taxa de anti-diluição de cerca de 450 milhões de dólares apenas para garantir sua vaga no grid nesta temporada — o que dá dimensão real dos custos de entrada.

A BYD tem demonstrado ambições de performance: sua submarca de luxo Yangwang lançou o superesportivo elétrico U9, testado em circuito alemão a mais de 495 km/h. A empresa também inaugurou seu próprio circuito de testes na China, sinalizando apetite crescente pelo automobilismo.

Com receita superior a 100 bilhões de dólares em 2025, a empresa certamente tem os recursos. A questão é se tem a vontade política, a paciência estratégica e a tolerância ao risco que uma empreitada na Fórmula 1 exige.

Conclusão: rumor promissor, mas lição aprendida com a Hyundai

O interesse da BYD na F1, se confirmado, seria historicamente relevante — a primeira entrada direta de um fabricante chinês na categoria. Mas o esporte já viu esse filme antes. A Hyundai gerou expectativa, alimentou manchetes e recuou. A Porsche tentou negociar com a Red Bull e não chegou a acordo. O processo de entrada na F1 é longo, caro e repleto de obstáculos políticos e comerciais.

Por ora, o que existe é um relato da Bloomberg baseado em fontes anônimas — e o silêncio da própria BYD. Para os fãs de automobilismo, o cenário é empolgante. Para os mais experientes, a prudência recomenda esperar anúncios oficiais antes de comemorar.

A Fórmula 1 de 2026 já é a mais movimentada em décadas. Se a BYD vier, será mais um capítulo extraordinário. Se não vier, o roteiro da Hyundai nos lembra: na F1, rumor não é pit stop — é apenas uma curva.


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