Para quem torce para uma das equipes envolvidas, é um verdadeiro filme de terror. Já os que só acompanham, sem apego emocional direto, acham o máximo. As disputas de pênaltis são um verdadeiro fenômeno no futebol: tensas, eletrizantes, decididas no menor dos detalhes – um nervo mais calmo, um tufo de grama mal acertado na marca da cal – cria heróis, vilões e histórias que se encrustam na história dos clubes envolvidos, seja para o bem, seja para o mal. Nos caminhos de Palmeiras, Santos e da Copa Libertadores, não é diferente

Em toda a história, foram 107 disputas de pênaltis na Libertadores, sendo que as oitavas de final foram a fase com mais duelos, 50 no total. Dentre as finalíssimas, em 11 oportunidades a Copa foi decidida na marca da cal: 1985, 1989, 1992, 1994, 1999, 2000, 2001, 2002, 2004, 2008 e 2013, com equipes brasileiras envolvidas em 6 vezes. O Palmeiras, pode-se dizer, é um dos mais experientes da turma no quesito: o verdão tem 9 disputas no currículo – menos apenas que Boca Juniors e Olímpia, com 10 cada – e é, junto do Boca, quem mais “sobreviveu” ao drama, com 7 classificações. O alto número palestrino foi impulsionado pela sequência de 7 decisões entre 1999 e 2001, período onde venceu sua primeira Libertadores, chegou a uma final e uma semi – todas decididas na marca da cal. Contra brasileiros o saldo é ainda mais animador – nas cinco vezes em que enfrentou conterrâneos (Corinthians 2x, Cruzeiro, São Caetano e Sport), o Palmeiras avançou.

Em 1999, Palmeiras foi aos pênaltis na decisão para conquistar a América. Apenas São Paulo e Atlético-MG, dentre os brasileiros, também possuem o feito (foto: Acervo/Gazeta Press)

Já o Santos tem como grande vantagem o aproveitamento nas decisões. Passou pelo sufoco em bem menos oportunidades – apenas três, um terço do rival Palmeiras – mas em todas seguiu adiante na Libertadores. Em 2003 e 2004, o peixe encarou Nacional-URU e LDU Quito, ambos nas oitavas, enquanto que em 2012 o duelo foi nas quartas de final, frente ao argentino Vélez Sarsfield. Já o retrospecto recente entre os rivais sugere grandes chances de outra decisão por pênaltis neste sábado, no Maracanã: Nos últimos 5 mata-matas em que se enfrentaram, Palmeiras e Santos decidiram a vaga (ou título) nos pênaltis em todos eles – quatro vezes no Campeonato Paulista e uma na Copa do Brasil. Em 2013, um Santos ainda comandado por Neymar encarou o Palestra, que buscava reabilitação após o rebaixamento no Brasileirão, nas quartas de final na Vila Belmiro. Após empate em 1×1 no tempo normal, Rafael brilhou e o peixe levou a melhor por 4×2. O Santos caminharia até a decisão, onde seria derrotado pelo Corinthians. Já em 2015, o auge da rivalidade recente entre os clubes: no paulista, um Palmeiras turbinado pelas cifras da Crefisa após ter escapado de outra degola – com participação direta do Santos na última rodada – chegava a final do estadual contra o alvinegro da Vila Belmiro. No Allianz Parque, 1×0 Palmeiras com direito a pênalti perdido pelo time da casa, na Vila 2×1 Santos, decisão nos pênaltis e o Santos levou, novamente por 4×2 para ser campeão estadual. O troco verde viria meses depois na decisão da Copa do Brasil, com roteiro tão semelhante quanto dramático: ida na Vila, Santos 1×0 com pênalti perdido pelo time da casa, na volta em São Paulo 2×1 Palmeiras e desta vez 4×3 para o alviverde nas penalidades máximas. Na sequência, os clubes voltariam a se enfrentar nas semifinais do paulista em 2016 e 2018, com uma classificação para cada lado nos pênaltis.

Nesta edição de 2020, a Libertadores já teve cinco disputas de pênaltis – maior número desde 2017. Os brasileiros tiveram duas participações, saindo derrotados em ambas: o Flamengo caiu no Maracanã, palco da final de sábado, para o Racing Club-ARG, enquanto o Internacional parou no Boca Juniors, dentro da Bombonera. Você, palestrino, você santista, coração está em dia? você, fã do futebol e dos pênaltis, está preparado? fortes emoções à vista na final da Libertadores em 2020 – com grandes chances de pararem nos sete metros entre a marca da cal e a linha de gol. Como diria Galvão Bueno, haja coração!

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