Opinião: Hellas Verona é o mais novo ‘câncer’ do futebol

Opinião: Hellas Verona é o mais novo ‘câncer’ do futebol

05/11/2019 0 Por Gustavo Neri

Equipe italiana se posiciona de forma lamentável sobre o racismo de seus torcedores contra Balotelli

O Verona, equipe italiana de futebol, se posicionou através de seu treinador e presidente, após gritos racistas de seus torcedores contra Mário Balotelli. O maior problema foi a forma com que importantes nomes do clube se posicionaram. Presidente, treinador e até mesmo o prefeito de Verona concederam entrevistas, amenizando o caso.

O presidente, Maurizio Setti, tratou o racismo apenas como ironias e brincadeiras.

“Posso confirmar que não escutei nada. Os torcedores do Verona são bem irônicos, mas não são racistas. Talvez dois ou três tenham falado alguma coisa entre 20 mil torcedores, e estamos preparados para puní-los se foi o caso. Mas é errado generalizar. Encontrei com Balotelli e pedi desculpas se alguém lhe falou algo”, comentou o presidente Maurizio Setti.

O treinador do Verona também tratou apenas como uma ironia e não uma afronta racial a Mário Balotelli.

“Hoje não teve nada, nenhum grito racista. Houve assobios e provocações que são feitas contra um grande jogador. Nada além disso. Sou croata e já escutei muitos xingamentos de ‘cigano sujo’. A Itália é muito racista, mas hoje não foi isso”, disse o técnico Ivan Juric à emissora Sky Sport.

 

Prefeito da cidade támbem se manifestou

Depois de treinador e presidente do Hellas Verona e uma série de torcedores alegarem que não houve preconceito contra o atacante, foi a vez do prefeito da cidade negar que fãs tenham proferido gritos racistas em um setor do estádio Marc’Antonio Bentegodi.

“Parece que uma sentença já foi escrita na pedra. Objetivamente, o que aconteceu com nossa cidade é inaceitável. Eu reitero: estava no estádio, e todos ficaram atônitos quando Balotelli chutou a bola para fora. Ninguém pôde explicar isto. Portanto, pode-se presumir que não existiu (racismo), pois não havia cantos racistas no estádio. Uma torcida e uma cidade estão sendo expostos à vergonha”, disse Federico Sboarina à agência ANSA.

A equipe é tradicional na Itália, conquistou um título italiano na temporada 84/85, três títulos italianos da série B nas temporadas 98/99, 81/82, 56/57.

Mas a sua tradição jamais lhe fará um clube grande, não pelo número de títulos e investimentos, mas pelas atitudes esdrúxulas de seus torcedores, dirigentes e comissão técnica. O Verona teve a oportunidade de botar mais um ponto final em uma triste história de racismo, contada a anos na Itália e na Europa, mas a postura daqueles que estão à frente do clube não só minimizou os atos racistas dos torcedores, como incentivaram novos cantos, fazendo com que a torcida acredite que seja algo normal, apenas uma “sátira” ou “ironia”. Lamentável!