Caso de racismo na Bulgária escancara problema antigo na região

Caso de racismo na Bulgária escancara problema antigo na região

21/10/2019 0 Por Lucas Castro

Gritos e gestos ofensivos contra jogadores negros não são novidade e mostram incapacidade da UEFA em lidar com racistas

Torcedores búlgaros fazendo saudação nazista. Foto: Getty

Torcedores búlgaros fazendo saudação nazista. Foto: Getty

O mundo do futebol ficou horrorizado na última segunda-feira (14), quando torcedores búlgaros fizeram saudações nazistas e imitaram sons de macaco contra Raheem Sterling e Marcus Rashford, jogadores negros da seleção inglesa, em partida válida pelas eliminatórias da Euro. O caso, no entanto, passa longe de ser surpreendente no país do leste europeu.

Em 2011, a Federação Búlgara de Futebol já havia sido multada quando em jogo contra a mesma Inglaterra, Ashley Cole, Ashley Young e Theo Walcott também foram alvo do racismo da torcida local.

Em 2013, a torcida do Levski Sofia, um dos maiores times do país, levou à arquibancada uma faixa de “feliz aniversário” para ninguém menos que Adolf Hitler. Saudações nazistas também já deixaram de ser novidade no Campeonato Búlgaro.

Após o caso da última semana, o primeiro ministro da Bulgária, Boyko Borisov, exigiu a renúncia do comandante do futebol do país, que ocorreu logo em seguida, juntamente com a do treinador da equipe, Krasimir Bakalov. Entretanto, Borisov faz parte de uma coligação que conta com três partidos de discurso ultranacionalista, que muitas vezes endossam esse tipo de comportamento.

O racismo na região é muito maior do que parece, e está difundido por toda a sociedade búlgara. Na coletiva, o técnico do English Team, Gareth Southgate, teve que responder a um repórter local que insinuou que as reclamações inglesas eram exageradas e que o jogo foi “amigável”.

Em entrevista à BBC de Londres, Yana Pelovska, uma jornalista que vive em Sofia, comentou sobre o assunto dizendo que esses casos “são exclusivos de jogos internacionais” e que não considera os torcedores racistas, já que os times locais possuem atletas negros.

Além de tudo, a UEFA ano após ano, prova sua inabilidade de lidar com casos de racismo no velho continente. O jogo contou com a utilização do novo protocolo, no qual o sistema de som do estádio avisa a torcida, e pede o fim dos cânticos racistas. Caso eles continuem, o jogo pode ser paralisado, e posteriormente, encerrado.

Mas nada disso funcionou em Sofia. Coube aos ingleses, responderem na bola, goleando sem dificuldade o fraco time búlgaro por 6 a 0. Mas o resultado, no fim, foi o que menos importou.