Se, por um lado, começou e se desenrolou de maneira tão esvaziada quanto sucateada – seja pelo conturbado contexto político as terríveis condições dos gramados ou mesmo a fórmula de disputa, sobretudo na primeira fase -, a Copa América de 2021 entrega para sua grande final 90 minutos que, é seguro dizer, já estarão presentes a partir do próximo domingo nos livros de história e nos folclores do futebol sul-americano.


O mais grandioso clássico entre seleções vizinhas do planeta bola, que curiosamente decide, em partida única, apenas pela 5ª vez um torneio oficial – excluindo, portanto, as edições da Copa Rocca e do Superclássico das Américas.

Por conta das restrições políticas e sanitárias em Colômbia e Argentina, sedes originais, a Copa América foi trazida para o Brasil aos 45′ do segundo tempo (Foto: El País)

As finais entre Canarinhos e Albicelestes

Excluindo as edições da antiga Copa Roca, disputada na primeira metade do século XX, e sua versão moderna rebatizada Superclássico das Américas, Brasil e Argentina se encontram neste sábado apenas pela quinta vez em uma final – a quarta em Copas América.

Em 1937, na Argentina, a primeira das decisões se deu após canarinhos e albicelestes terminarem a competição, que era em pontos corridos, empatados na liderança. O jogo desempate, disputado no velho estádio Gasómetro de Buenos Aires terminou em 0x0, com Vicente de la Mata saindo do banco para anotar um doblete na prorrogação, e garantir o pentacampeonato hermano, por 2×0.

Os rivais voltariam a decidir um troféu depois de longos 67 anos. A espera, porém, seria convertida na emoção proporcionada no duelo. Na Copa América de 2004, com gol de Delgado já aos 42 minutos do segundo tempo, a Argentina vencia um jovem, mas valente time brasileiro por 2×1 e ia encerrando um já incômodo jejum de 11 anos sem títulos. A cera hermana, porém, se transformaria em desespero: aos 48, num balaço de esquerda, Adriano empatou e levou o jogo para os pênaltis. D’alessandro e Heinze perderam suas cobranças e o Brasil acabou campeão com contornos épicos.

Gol dramático de Adriano, já nos acréscimos, levou a decisão da Copa América de 2004 para os pênaltis, onde o Brasil venceu por 4-2

No ano seguinte, a Copa das Confederações na Alemanha reservou outra decisão. Desta vez com o time considerado titular para a Copa do Mundo do ano seguinte, o Brasil não tomou conhecimento: Adriano, Kaká, Ronaldinho e, outra vez o Imperador foram as redes e construíram a maior goleada entre as rivais em decisões – Aimar ainda descontou com o gol de honra argentino, 4×1.

No ano seguinte à decisão de Lima, Adriano fez mais dois e o Brasil atropelou a Argentina em Frankfurt

Já em 2007, uma seleção brasileira sem os medalhões, desacreditados pós fracasso na Copa do Mundo, chegava outra vez à final da Copa América contra a Argentina, desta vez mais favorita do que em qualquer outra oportunidade. No campo de Maracaibo, porém, outro show canarinho: Júlio Baptista, ainda aos 4 minutos, Ayala contra e Daniel Alves marcaram e o sonoro 3×0 marcou o 4 título brasileiro em 5 edições da Copa América. Além, claro, de estender a fila sem títulos argentinos.

Em 2007, foi a vez dos comandados de Dunga atropelarem a grande rival: 3×0 dentro da Venezuela

Tabu argentino e os tabus brasileiros

A final deste sábado marcará um fato histórico ao seu final. Mais do que o título, longos e duradouros tabus serão postos à prova. A Argentina buscará quebrá-los. Ao Brasil, só interessa mantê-los.

O mais famoso, claro, é o da seca albiceleste sem títulos com a seleção principal. A última conquista veio há 28 anos, na Copa América de 1993, no Equador. Desde então, foram 7 finais disputadas e 7 vices, alguns severamente doloridos.

Com participações de Diego Simeone e Gabriel Batistuta, Argentina foi campeã pela última vez sobre o México, em 1993

Em 1995, a queda foi diante da Dinamarca na Copa do Rei Fahad, torneio reformado e rebatizado como Copa das Confederações em 1997. Logo depois, vieram 3 vices num período de 4 anos para o grande rival, Brasil, entre 2004 e 2007.

Na sequência, as derrotas mais dolorosas: em 2014, Mario Götze e o minuto 116 na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. Em 2015, o quase de Higuaín e a derrota nos pênaltis na decisão da Copa América, para o não menos inimigo Chile, num estádio Nacional de Santiago abarrotado. E em 2016, outra vez contra o Chile, outra vez nos pênaltis, desta vez nos EUA e dessa vez pela Copa América Centenário.

Em 2014, a Argentina passou muito perto da Copa do Mundo em pleno Maracanã. O gol de Götze saiu 4 minutos antes do final da prorrogação

Pelo lado brasileiro, o grande tabu a ser mantido é ainda mais longínquo. O país sediou em seis oportunidades a Copa América. Nas cinco anteriores – 1919, 1922, 1949, 1989 e 2019 – foi campeão.

Mais do que isso: joga para manter uma sequência que perdura desde 1975 sem derrotas para adversários sul-americanos, por competições oficiais, em solo brasileiro – a última foi diante do Peru, nas semifinais da Copa América, que não possuía sede fixa na oportunidade.

Em jogos contra a Argentina dentro do Brasil, a última derrota já tem 23 anos, foi em amistoso disputado em 1998. O curioso, porém, é que aquele resultado, de 0x1, foi a última partida entre os rivais dentro do estádio carioca – a Argentina foi a última equipe a derrotar o Brasil no mítico templo.

Com gol de Cláudio Lopez, Argentina foi a última seleção a derrotar o Brasil dentro do Maracanã

Em finais, o Brasil jamais foi derrotado dentro do Maracanã – o ‘Maracanazo’ diante do Uruguai, maior derrota da história da seleção até o náufrago do Mineirão em 2014, foi disputado dentro de um quadrangular.

Destaque para as decisões após a reforma do estádio, na Copa das Confederações de 2013 quando a canarinho atropelou a Espanha, e da última Copa América, com vitória por 3×1 contra o Peru.

Dentro das Copas América, será o quarto Brasil x Argentina dentro do Maraca: em 1979, vitória brasileira por 2×1, gols de Zico e Tita. Em 1983, o único empate, 0x0. Em 1989, com direito a caneta de Romário em Maradona, o baixinho foi às redes e Bebeto fez gol icônico de voleio para garantir o triunfo, por 2×0.

Com golaço de Bebeto, Brasil venceu a Argentina por 2×0 na campanha vitoriosa de 1989 na Copa América

Duelo nota 10: a final e o título que faltam

Ambos carregam as camisas 10, que outro dia vestiram nomes do calibre de Pelé e Maradona, e o fazem com maestria. Líderes técnicos de suas seleções, Neymar e Messi, amigos íntimos dos tempos de Barcelona, disputarão sua primeira final oficial em lados opostos.

Para completar, a dupla chega ainda como os dois melhores atletas desta edição da Copa América. São campanhas sublimes em números e desempenho.

Com um jogo a mais, Messi é o artilheiro e líder de assistências da competição. Mais do que isso: capitão, se porta como grande referência anímica e emocional da equipe em busca de seu sonhado título com a geração principal, que já lhe escapou às mãos em 4 oportunidades.

O argentino joga como um meia por trás do centroavante da equipe. Possui, ainda a liberdade de se associar em jogo curto com os volantes da albiceleste – notadamente com Lo Celso. A partir daí, cria inúmeras chances de gol, seja para ele, seja para os companheiros.

Já Neymar, um dos artilheiros do Brasil na competição, é mais plástico. Com repertório quase infinito de dribles, gera espaços, cria situações de superioridade numérica e inferniza as defesas adversárias.

A versatilidade do brasileiro em ser armador, ponta e até mesmo centroavante em alguns momentos faz com que o camisa 10 represente a maior força ofensiva brasileira – com apoio valioso de Lucas Paquetá durante o mata-mata da competição.

Camisas 10, eles compartilham com Pelé e Maradona também outro curioso clube: nenhum dos 4 craques jamais foi campeão da Copa América – escrita, claro, que verá um deles sair neste sábado.

Neymar não esteve no grupo do Brasil campeão há dois anos por lesão. Messi, por sua vez, bateu na trave contra o Brasil em 2007 e no biênio 2015-16 no Chile. Um desfecho que será épico e independente de seu resultado já é histórico.

Desde 2016, Messi e Neymar não se encontravam em lados opostos. Cinco anos depois, o reencontro vale taça inédita pra carreira de ambos

As histórias entre Messi e Neymar, sobre os tabus das equipes e um novo capítulo da rivalidade Brasil x Argentina, claro, você acompanhará por aqui.

A Rádio ESPORTESNET transmitirá AO VIVO e Multiplataformas a grande final da Copa América de 2021, a partir das 20h30 deste sábado. A transmissão terá o comando de Enio Ricanelo na narração, comentários e reportagem de Rodrigo Seraphim, e plantão na Central ESPORTESNET de Lucas Agnelli. Prato cheio e imperdível para o sabadão!

A transmissão da final da Conmebol Copa América 2021 é aqui, na Rádio ESPORTESNET!

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