Entre a História e o Moderno: Desafiando um Legado Controverso

A SS Lazio, fundada em 1900, é um dos clubes mais tradicionais da Itália, mas sua história é indissociavelmente marcada por uma ligação histórica com o fascismo. Este vínculo não se refere à fundação do clube, que é anterior à ascensão de Benito Mussolini, mas sim à apropriação e aos símbolos que foram sendo adotados por uma parcela de sua torcida organizada ao longo das décadas.
Durante a era fascista italiana (1922-1943), o regime via no esporte uma poderosa ferramenta de propaganda. A Lazio, diferentemente de clubes como a AS Roma (criada por fusão incentivada pelo regime), não foi um projeto fascista. No entanto, como todas as instituições da época, operava sob o contexto político vigente. A relação mais explícita surge décadas depois, principalmente a partir dos anos 70 e 80, quando setores da torcida ultra laziali começaram a adotar simbologias e cânticos de extrema-direita e neofascistas.
Elementos como a exibição de símbolos fascistas, saudações romanas e referências à Roma Imperial são utilizados por uma facção minoritária, porém barulhenta, dos ultras. Esta facção se identifica com ideais de nacionalismo extremo e, em alguns casos, com a supremacia branca. Este fenômeno transformou o Estádio Olímpico de Roma, em certos jogos, em palco de episódios de grave intolerância e racismo, alvo de sanções da UEFA e da crítica da mídia internacional.
É crucial contextualizar: a Irriducibili Lazio, historicamente a principal facção ultras, foi dissolvida em 2021 por suas conexões com estes atos. A própria SS Lazio, na tentativa de se modernizar e combater esses estereótipos, tem implementado nos últimos anos campanhas anti-racismo e projetos sociais. A diretoria busca constantemente dissociar a imagem do clube das ações de uma minoria de seus torcedores, enfatizando os valores esportivos e o trabalho com a comunidade.
No entanto, a percepção pública muitas vezes ainda associa o clube a estes episódios. Para o fã comum e para a história esportiva, a Lazio é sinônimo de grandes jogadores como Paolo Di Canio (cujo próprio passado político é controverso), Alessandro Nesta e Ciro Immobile. A dualidade entre a paixão pelo futebol e o ultranacionalismo de parte da torcida continua a ser um dos maiores desafios para a instituição.
Em resumo, a ligação da Lazio com o fascismo é um capítulo complexo e doloroso, mais relacionado a segmentos específicos da sua torcida do que à filosofia oficial do clube. É uma herança que a sociedade italiana e a própria SS Lazio ainda tentam superar, enquanto lutam para escrever um novo capítulo focado exclusivamente no esporte e na inclusão.
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