O que esperar do confronto entre Brasil e Argentina

O que esperar do confronto entre Brasil e Argentina

02/07/2019 0 Por ESPORTESNET

A primeira partida da semifinal da Copa América contará com um Brasil e Argentina digno da rivalidade que essas duas seleções representam. O último encontro delas na competição foi na final de 2007, com vitória brasileira. Agora, valendo um lugar na finalíssima, os hermanos buscam a revanche.

 

A rivalidade histórica entre as duas seleções é agora marcada por um jogo inédito. Brasil e Argentina nunca disputaram uma semifinal de Copa América. E tem muito mais em jogo do que a vontade de demonstrar superioridade no futebol sul-americano.

Além da vaga na final, brasileiros e argentinos veem no principal torneio do continente a chance de se reafirmarem. Diferenças à parte, ambas as equipes passam por um momento bem parecido: o de reestruturação. Abaixo separamos cinco tópicos que apontam o valor desse clássico para cada seleção.

A responsabilidade nas costas de Messi

 

Lionel Messi nunca foi unanimidade da Argentina. Por ter saído muito jovem de sua terra natal, acabou adquirindo um comportamento mais discreto, mais parecido com os europeus. Isso tudo aliado à sua personalidade mais reservada não lembra em nada a forma pela qual diversos ídolos argentinos ficaram conhecidos, usando de raça e ousadia dentro de campo.

Embora muitos o considerem tecnicamente melhor do que Maradona, em termos de idolatria e identidade com o povo argentino, ele sempre viveu à sombra de seu compatriota. Quatro anos atrás, aqui mesmo no Brasil, Messi deixou escapar a chance de mudar essa história ao perder a final da Copa do Mundo para a Alemanha.

Aos 32 anos, ele sabe que pode jogar por mais alguns anos em alto nível no Barcelona. Mas pela Seleção Argentina, onde a cobrança sempre foi maior, é ao contrário. Sem ganhar a Copa do Mundo há 33 anos e a Copa América há 26, ele corre contra o tempo para ser o responsável por tirar a Argentina dessa longa fila sem títulos.

A ausência de Neymar

 

Desde que surgiu em 2009, Neymar é visto como o melhor jogador de sua geração. A partir do momento em que a seleção ficou carente de craques como Romário, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho, sobrou para ele a missão de ocupar esse espaço e ser o protagonista.

A lesão na Copa de 2014 deu os primeiros indícios da tal ‘Neymardependência’. O mal desempenho na Rússia acabou por escancarar o quanto o time era refém dele. E o corte inesperado às vésperas da Copa América tirou a esperança de vários torcedores.

Mas como tudo tem o seu lado bom, a Seleção Brasileira tem agora oportunidade de focar no coletivo, apostar na entrada de jogadores mais jovens, se permitir experimentar e assim não estar presa em função de um único esquema ou jogador.

Diferentes seleções e a mesma busca por identidade

 

Brasil: Como mencionado no início do texto, tanto Argentina quanto Brasil, vivem um período de reestruturação. Apesar da derrota para a Bélgica na Copa da Rússia, Tite ganhou o ”perdão” da CBF para permanecer no cargo e ter pelo menos um ciclo inteiro de trabalho.

Sem Neymar, uma outra forma de jogar teve que ser pensada. Alguns jogadores do elenco estão em baixa e com um desempenho que nem de longe lembra o atingido nas Eliminatórias há três anos. Muito criticado pela dificuldade em montar uma equipe ofensiva, o treinador brasileiro está se virando como pode para dar uma identidade à equipe.

No momento, Tite se equilibra entre a confiança depositada nos experientes jogadores da defesa e a necessidade de renovação que bate à porta, como Everton Cebolinha que já caiu nas graças da torcida.

Argentina: Sabe aquela máxima de que ”time que está ganhando não se mexe”? Pois é, isso não vale para Lionel Scaloni, atual técnico da Seleção Argentina. A exemplo de seu antecessor, Jorge Sampaoli, Scaloni não se importa nem um pouco em modificar o time quantas vezes julgar necessário.

Na Copa da Rússia, por exemplo, a atitude de Sampaoli de escalar uma equipe diferente a cada jogo foi apontada como a razão pela campanha irregular da Argentina. Scaloni era auxiliar da Seleção na época, e parece ter gostado dessa metodologia. Tanto que adotou para si.

Nessa Copa América, ficou nítido que o comandante argentino ainda luta para imprimir um estilo de jogar que seja eficiente e ao mesmo tempo sólido.

O que a vitória representa para cada técnico

 

É bem verdade que ainda estamos na semifinal. Mas ser eliminado agora, perdendo a chance de ir à final, além de ter que se contentar com a modesta disputa de terceiro lugar, colocaria a cabeça de qualquer treinador a prêmio.

Brasil: Basta ouvir Tite falando por alguns minutos sobre tática para saber que ele é um entusiasta do assunto. Ele foge do estereótipo de treinador ultrapassado, que não dá a mínima para o tal futebol moderno.

Durante um tempo, a trajetória vitoriosa e o discurso de quem reconhece que o nível do futebol praticado aqui no Brasil está distante daquele jogado nos melhores clubes e seleções da Europa, blindaram Tite de críticas vindas da torcida e também da ácida imprensa.

Mas o que se vê na prática é que o perfil modernista dele contrasta com o conservadorismo visto em campo. O nó tático imposto pela Bélgica marcou o fim da supervalorização de Tite. Longe da unanimidade, ele busca agora readquirir o prestígio de antes e provar que continua sendo o mais bem preparado para liderar o Brasil.

Argentina: Olhando por um certo ângulo, Lionel Scaloni não tem muito a perder. No intevalo de um ano, ele foi de auxiliar à treinador principal. E por isso, sabe que tem um longo caminho a percorrer. Estrear como técnico justamente à frente de uma equipe tão tradicional e esperar que tudo saia exatamente como o planejado seria exigir demais.

Por outro lado, Scaloni sabe do impacto que isso pode ter em sua carreira. O privilégio de comandar a Argentina não é dado para todo e qualquer novato. Se souber aproveitar da melhor maneira, mesmo que não permaneça no cargo até 2022, ele tem consciência de que a experiência na equipe nacional o colocará em um patamar acima no mercado.

 

Algumas curiosidades :

 

1) Ter Lionel Messi em campo não é sinônimo de vitória para a Argentina. Até o momento, ele esteve presente em nove partidas contra a Seleção Brasileira. E os hermanos acumulam um saldo negativo: cinco derrotas, um empate e apenas três vitórias.

2) A última vez em que as duas seleções se enfrentaram na Copa América foi na grande final, em 2007. Melhor para os brasileiros que na ocasião venceram por 3 a 0.

Foto: Lucas Figueiredo / Site oficial CBF