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Inversão ??

 

anderson-lesao-recuperacao David Becher AP ESPORTESNET

Anderson sofre com dor em sua última luta. Crédito da foto: David Becher/AP

 

     Não sou tão frio ao ponto de dizer que a lesão de Anderson Silva não é algo de arrepiar, mas vamos pensar um pouco...este "esporte", admiro o talento de quem consegue suportar ou praticar, mas o intuito das Artes Marciais Mistas, ou MMA é de nocautear, com golpes duros, que mesmo em pessoas super treinadas e preparadas como estes lutadores, causam lesões e muitos estudos comprovam, sequelas infelizmente terríveis, o boxe que é mais "tranquilo" que o MMA já é terrivelmente perigoso e danoso a seus praticantes, mas ai vem os defensores de plantão, que dizem que não é um esporte perigoso, pois no futebol pessoas quebram as pernas e se lesionam, no basquete também e o que dizer do automobilismo, onde pilotos podem morrer...sim ai chegamos em um ponto...podem morrer, podem se lesionar, mas o intuito do esporte não é o de machucar as pessoas, não é de lesionar a pessoa, no futebol o intuito é o gol, infelizmente por causa do infortúnio, pode-se ficar lesionado, como eu que quebrei minha perna jogando futsal, mas não era o intuito do jogo, muito pelo contrário.

     No automobilismo, que não é considerado esporte por muitos, o intuito é vencer, acelerar, obter adrenalina através da velocidade, em locais cercado de segurança e carros que são verdadeiros ícones da ficção cientifica de tão modernos e sempre evoluindo.

    Lógico que tragédias acontecem, como Dan Wheldon na Indy e nosso querido Ayrton Senna vitima de uma incrível e inesperada fatalidade, mas mais uma vez, não era o intuito do evento. Piquet sofreu um grave acidente em Indianapolis nos treinos para as 500 milhas que antecipou sua aposentadoria.

    Fatalidades são parte da vida, você não planeja sofrer um acidente em casa, mas pode acontecer, agora quando criamos algo que o intuito é lesionar, machucar a pessoa para vencer, fico questionando se a sociedade não parte para a regressão histórica de nossas características sociais, pois isto me lembra mais o império romano e os gladiadores, onde a morte do adversário era comemorada. Em uma sociedade onde os valores familiares são jogados no lixo em detrimento da cultura do BBB, Fazenda, Datena, Marcelo Rezende, Funk, Drogas, onde as escolas são tratadas como nada, onde professores não são respeitados, o futuro nos reserva a barbarie. Entendo sim que o MMA dentro desta nova realidade social virou um negócio mais que atraente, de bilhões de dólares, tenho muitos amigos da Educação Física que estão neste negócio, ótimas pessoas.]

     Mas como professor, profissional de educação física, me preocupa esta hiper mega valorização a este tipo de atitude, onde ver uma pessoa com sangue pelo rosto é valoroso, quando era criança era uma atrocidade os filmes de terror, onde tudo era a fantasia do medo, hoje os filmes de terror parecem desenhos animados da Disney perto destas ações.

     O Heptacampeão Michael Schumacher esta no limiar da vida e da morte após uma fatalidade enquanto curtia um momento com seu filho, mas o engraçado é que a mídia mostra o caso de Anderson Silva como tão grave quanto o do ex-piloto de F-1, como se isto fosse o fim do mundo, mas vale lembrar que quem entra no MMA já tem ciência dos riscos, dos problemas que podem ser causados.

    Entendo também que para os amantes do MMA vão dizer que o Boxe já tem muitos mais casos de lesões que o MMA, mas compare a história e abrangência da modalidade, proporcionalmente é verdade e não estou defendendo o boxe, que tem o mesmo intuito, vemos hoje o preço que Eder Jofre e Maguila pagaram para conquistar algo por nosso país.

    Não sou dono da verdade e nem quero ser...mas como educador a dezenove anos, esportista, treinador a mais de uma década, jornalista, tenho muitas famílias, crianças e jovens sob minha responsabilidade constantemente e só quero trazer um ponto de vista, pois creio que a educação, a informação é a verdadeira revolução, o esporte pode ser uma ferramenta incrível, quando trabalhamos o esporte em seu fundamento básico: uma batalha sem vítimas fatais, sem buscar o mal ao próximo e que ao tocar do apito ou ao final do certame, se vibre de alegria ou se chore pela decepção da derrota, mas ambas as sensações irão passar e nos ensinar, assim como a vida, que existe e vitória e a derrota.

iMMA ESPORTESNET Será que estamos agindo certo? Crédito da foto: Divulgação

 

Abaixo deixo dois artigos para leitura e reflexão:

 

Educação Física

22/10/2013

Alzheimer e Parkinson são algumas das possíveis consequências de lutas de MMA

Por Jornalismo Portal da Educação Física
 
     Além das pancadas e traumatismos, golpes que levam ao sufocamento também podem trazer danos irreparáveis.
 
    Em maio de 2012, o lutador de MMA (Artes Marciais Mistas) Dustin Jenson, dos EUA, morreu devido a uma lesão cerebral causada seis dias antes, durante uma luta.
 
    O que para uns pode parecer uma fatalidade, para os especialistas é uma certeza: os esportes de luta oferecem riscos de traumas sérios que podem trazer sequelas neurológicas graves, como Alzheimer e Parkinson, e até mesmo provocar o óbito do lutador. Se há como evitar? “Do ponto de vista neurológico, não há como prevenir. A prevenção está no indivíduo justamente não se expor a tais agressões”, conta o neurocirurgião Atílio Faedo Neto, coordenador clínico do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
 

Alto risco, alto impacto

     Ao praticar MMA, o lutador está exposto ao risco de diversos traumatismos, como os de face (supercílio, maxilar, mandíbula) e o craniano (fratura de crânio e lesões no couro cabeludo); traumas abdominais; fratura de arcos costais; lesões no baço, fígado e outros órgãos internos; traumas torácicos com fraturas de arcos costais e lesões de pulmão (hemotórax ou pneumotórax traumático); lesões cerebrais como contusões hemorrágicas em áreas superficiais - como o córtex - ou mais profundas - como o tronco cerebral -, ruptura de pequenos vasos levando a hematomas subdurais ou extra durais e, “em casos mais graves, pelo grande traumatismo provocado, lesões axonais difusas que podem levar o indivíduo à morte”, alerta o médico.
 
     Os lutadores sabem dos ricos que correm e um estudo realizado por pesquisadores da John Hopkins University School of Medicine em 2006, e que segue ainda como um dos mais completos sobre o tema, indica que o MMA é menos lesivo para o cérebro do que o boxe, pois apresenta menor incidência de nocautes. 
 
     Após estudar 171 lutas envolvendo 220 lutadores, descobriu-se ainda que os lutadores mais velhos apresentam tantas probabilidades de sequelas quanto aqueles que foram nocauteados. Outro estudo, comandado por cientistas da Cleveland Clinic (EUA), indica que ainda é preciso realizar mais pesquisas para determinar como proteger a cabeça e o pescoço de lutadores de boxe e MMA para reduzir o impacto dos socos e chutes e seus efeitos nessas áreas, já que apenas luvas e capacetes não são suficientes para prevenir lesões.
 
     Ery Silva é personal trainer e coordenador de lutas da Pretorian, empresa fabricante de equipamentos para treino de MMA e patrocinadora da modalidade. Ele conta que as entidades orientam os lutadores sobre os riscos do esporte e modos de evitar lesões. “Já o papel do treinador é orientar seu aluno a se proteger da melhor maneira possível, pois há poucas formas de se resguardar na luta. Basicamente, com equipamentos, ele tem luvas, bandagens e protetores bucal e genital”, enumera.
 

Consequências

     As leis da física pregam que “para cada ação, há uma reação”. No caso do MMA, cada pancada pode trazer sequelas, algumas transitórias e outras permanentes. Faedo Neto cita a concussão, com perda súbita dos sentidos, até uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada (com contrações involuntárias e musculares em ambos os lados do corpo) como exemplos de sequelas passageiras.
 
     “As sequelas definitivas vão depender da gravidade do traumatismo sofrido. Podem ser desde crises epilépticas para o resto da vida ou perda da capacidade cognitiva (raciocínio e memória), lesões cerebrais profundas como a Síndrome de Parkinson – problema que afeta o ex-boxeador Mohamed Ali -, lesões cerebrais por pequenas ou grandes contusões hemorrágicas etc. Acredita-se que os traumas cerebrais provocados pelo MMA possam provocar a Síndrome de Alzheimer, assim como a Síndrome de Parkinson”, conta o neurocirurgião.
 

Quando falta o ar

     Além dos socos, chutes e pancadas que afetam diretamente a cabeça e o pescoço do lutador, um dos golpes mais populares no MMA, o estrangulamento, também oferece perigo à saúde neurológica do oponente. “O estrangulamento é um golpe perigoso. Orientamos o atleta a se proteger de forma segura e, caso o receba, não resistir ao extremo, pois pode causar danos maiores caso ele o faça. Diga para o adversário bater e usar o bom senso. O MMA é um esporte que cresce muito e queremos mostrar a beleza por trás de tudo, então o bom senso deve ser usado sempre por todos os lutadores”, ensina Silva.
 
     Faedo Neto complementa: “o estrangulamento pode causar lesões graves, como o sufocamento do indivíduo, levando-o à parada da oxigenação cerebral, desmaio e edema cerebral. Pode causar hérnias discais traumáticas ou mesmo fraturas da coluna cervical com lesão medular, ou ainda causar lesões de vasos e ligamentos da região traumatizada”.
 

O MMA

     Criado há 20 anos nos EUA, o MMA ganhou fama por meio do Ultimate Fighting Championship (UFC), concurso de “vale-tudo”. A modalidade ganhou destaque rapidamente por ser considerada violenta e bruta. A partir de 2001, alguns estados norte-americanos começaram a reconhecer o esporte e a regulamentar suas disputas, transformando o octógono num palco e as lutas em verdadeiros shows, com plateia lotada e torcidas.
 
     Por causa dos potenciais riscos à saúde e à vida dos lutadores, equipes de paramédicos são designadas para o local das lutas para prestar atendimento imediato caso os lutadores apresentem sintomas como desorientação, desmaio, confusão mental etc. 
 
     Ainda assim, desde sua criação e profissionalização, outras mortes já foram relacionadas aos danos cerebrais. Em 1998, Douglas Degde faleceu por causa de lesões no cérebro. Em 2007, Sam Vasquez veio a óbito por hemorragia cerebral, mesma causa que matou, em 2010, Michael Kirkham depois de uma luta. Ano passado, Mike Mittelmeier sofreu uma pancada que o levou ao coma e a uma hemorragia cerebral que cessou sua vida.
 
Consultoria Técnica: Marcio Santos
Por Jornalismo Portal EF 

 

MMA ESPN ESPORTESNET

Mercado milinonário...mas perigoso. Crédito da foto: ESPN

 

Sociedade

Aurélio Munhoz

A fulanização do MMA

Esporte de luta que ganhou 'popularidade' nos últimos meses gera polêmica e suas estrelas viram alvo de crítica por incitar violência
por Aurélio Munhoz — publicado 03/10/2011 12:00, última modificação 03/10/2011 17:41

     Para não deixar dúvidas sobre os objetivos do texto que você vai ler: este despretensioso artigo é uma defesa da prática do Mixed Martial Arts (MMS) e da posição de que, sim, trata-se de um esporte.

     Por conta da superexposição que recebeu da grande mídia brasileira nos últimos meses, sobretudo devido à realização do UFC 134 na cidade do Rio de Janeiro, o MMA foi alçado ao primeiro plano do esporte nacional, ao menos no quesito visibilidade.

    Como subproduto desta superexposição, porém, o Mixed Martial Arts e suas estrelas foram alvo de críticas tão duras como um jab certeiro, quase todas fundadas no mesmo argumento: a suposta violência extremada dos lutadores.

    O MMA foi convertido na Geni do mundo esportivo, como se seus praticantes fossem bestas humanas a esmigalhar cérebros com a mesma brutalidade dos gladiadores, no Coliseu de Roma. Chegou-se a dizer que não se trata de um esporte, mas de um espetáculo legalizado de sangue e vítimas. Puro exagero, claro.

     Não temos procuração para atuar como advogados do MMA. Somos apenas seus admiradores. Não de hoje, aliás, como a grande maioria dos seus novos entusiastas, mas desde os anos 90, quando os torneios antecessores do Mixed Martial Arts - o vale-tudo e, depois, o Pride - exibiam ogros como Dan Severn, Mark Kerr, Don Frye, Tank Abbott, Mark Coleman, os brasileiros Rickson Gracie e Pedro Rizzo e, claro, os veteraníssimos Randy Couture e Ken Shamrock.

     Por isso, e também pela necessidade que o bom senso impõe de fazer justiça com o esporte, mesmo sob pena de sermos massacrados pela intolerância dos que não entendem o que é o Mixed Martial Arts, é preciso que se diga a verdade. Pena ter que lembrar o óbvio aos seus detratores: o MMA não é necessariamente mais violento que o boxe, seu primo-irmão mais famoso; é apenas diferente.

     Basta consultar as estatísticas para se verificar que, proporcionalmente, um número muito maior de boxeadores - entre eles, o mito Muhammad Ali - pendurou as luvas em meio a um histórico de doenças neurológicas e físicas graves, sequelas adquiridas ao longo de anos de lutas nos ringues.

     O MMA não é mais bruto sequer que outro gênero de violência à qual estamos acostumados: a que, produto da mais pura bestialidade, parte de quem jamais deveria. Referimo-nos aos atletas das modalidades esportivas que deveriam primar pelo fair play, mas que muitas vezes fazem da sua atividade terra sem leis. Entre elas, o rugby, o futebol americano e até o football soccer, um velho conhecido dos brasileiros, que nos tornou campeões do mundo cinco vezes. E, já que falamos de pancadaria, convém lembrar da que ocorre fora dos gramados e ginásios, à custa inclusive de vidas de inocentes. No MMA, pelo menos, os golpes se limitam ao octógono. Não consta que, além dos próprios lutadores, cidadãos tenham sido mortos nas arenas do Mixed Martial Arts em guerras de torcidas.

     A acidez dispensada ao MMA também é infundada por outra razão: quando se tenta induzir as pessoas a pensar que o futebol e outras modalidades esportivas são mais nobres que o Mixed Martial Arts porque teriam mais identificação com a cultura brasileira. O futebol é criação inglesa, a quem interessar possa, ainda que esteja no âmago da cultura esportiva nacional.

     Mas não douremos a pílula. Não custa lembrar que no MMA, rigorosamente da mesma forma que no futebol ou em qualquer esporte, a roda da fortuna gira. Move-se acionada por homens de negócios ousados, ambiciosos e, muitas vezes, desonestos. Lá, como cá, trata-se de ganhar (muito) dinheiro, o que possibilitou à marca UFC (Ultimate Fighting Championship) valer US$ 2 bilhões. Daí porque comparações entre os esportes não fazem sentido. A suposta supremacia do futebol sobre o MMA é mais um mito midiático.

    Porém, exatamente porque gera dinheiro, o MMA também passou a ser alvo de outro processo: a fulanização. A genialidade de Anderson Silva e de ícones do nível de Rodrigo Minotauro Nogueira, Mauricio Shogun, Lyoto Machida e Junior Cigano dos Santos garantiram nome e identidade nacional ao esporte, que virou “popular”. Não, porém, para permitir seu acesso ao grande público, e sim para convertê-lo em lucrativa fonte de receita. Justa, aliás, sobretudo para seus atletas.

     Assim, os atores principais deste espetáculo passaram a receber da mídia tratamento semelhante aos dos artífices dos gramados, das cabines da imprensa esportiva e das salas refrigeradas dos executivos da bola. Merecida homenagem a quem tem levado a bandeira brasileira  ao primeiro plano do esporte.

     Nesta lógica, o curitibano Anderson Silva converteu-se no Neymar dos lutadores. Bruce Buffer tornou-se uma espécie de Galvão Bueno do octógono. Dana White (dono do UFC) é o Joseph Blatter do agora bilionário esporte. E há até falastrões como o médio norte-americano Chael Sonnen que, pelo estilo birrento, em nada difere da lenda Diego Maradona.

     O MMA - assim como o futebol, desde sempre - foi devidamente fulanizado, é elogiado e duramente criticado, como ocorre com as coisas e pessoas que ganham notoriedade pelas mentes nada desinteressadas dos homens da mídia.

     Não se diga, portanto, que um esporte é melhor que o outro porque menos violento ou mais nobre. Mixed Arts Martial, futebol, rugby e seja lá o que for são esportes diferentes, mas que guardam muito mais pontos comuns do que se imagina. Sem nenhuma exceção, todos merecem o nosso mais profundo respeito. Todos, nos gramados ou nos octógonos, têm seus anjos e demônios. Deixem o MMA em paz.

Link original: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-fulanizacao-do-mma