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Nível de escolaridade do jogador de futebol profissional pode influenciar a sua performance

 

 

 

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Grandes clubes das séries A e B já incentivam os estudos dos atletas de formação. 



     A rotina puxada de treinos e o calendário de jogos, que obriga a viagens constantes, faz com que muitos jogadores de futebol profissional deixem de lado os estudos para se dedicarem, com exclusividade, à carreira nos gramados. As exceções mais famosas são o falecido jogador Sócrates, que era médico, e os goleiros Victor, do Grêmio, e Richarlyson, do Atlético MG, que são profissionais de Educação Física.

     Se até os anos 2000 era praxe a carreira de jogador ser prioridade, atualmente o nível de escolaridade tem sido exigido em diversos times.

     Maurício Marques, coordenador dos cursos de treinadores da Confederação Brasileira de Futebol(CBF), acredita que o nível de escolaridade do jogador de futebol profissional é capaz, sim, de influenciar a sua performance em campo, colaborando com o desempenho do time: “A capacidade de interpretar o discurso do treinador, as questões do treinamento, a ciência do esporte e a questão científica por trás do treino, têm a ver com o nível educacional e o desenvolvimento cognitivo e social do jogador.”

Apoio dos clubes

     Marques conta que desde que os clubes grandes, das séries A e B do futebol profissional, passaram a exigir que os atletas de formação estudem, a grande maioria dos jogadores têm conseguido concluir ao menos o ensino médio. “Já no caso do ensino superior, ainda são raros os jogadores que conseguem fazer um curso e concluí-lo”, diz.

     Na segunda divisão, clubes como o Nilton Lins, de Manaus (AM), estimulam os estudos dos jogadores, subsidiando até 80% da mensalidade dos cursos superiores, além do pagamento dos salários.

     Marques destaca que, quanto menos profissional é a série, menor a tendência de uma formação escolar adequada por parte dos atletas. “Aquele que estuda na formação de base do clube, que joga em clubes pequenos, tende a trocar de clube por causa da dificuldade de estudar. Outros clubes, grandes, têm escola dentro da concentração ou convênios com escolas públicas e particulares e ônibus para levar os atletas até lá – isso no cenário da formação de base. Depois que eles se profissionalizam, se não estudaram, a tendência é não voltar à escola”, conta.

Conscientização para uma melhor performance

     Algumas famílias, na ânsia de ver o filho fazer carreira no futebol profissional, acabam exercendo uma influência negativa sobre a escolaridade do atleta. “Tem quem diga que ele tem que se preocupar em jogar, se profissionalizar e depois estudar”, conta Maurício Marques.

     Dentro dos clubes, atualmente existe uma consciência maior sobre a importância de garantir o mínimo estudo para os jogadores. Marques reforça que a preocupação começou na virada do milênio: “antes o clube não questionava isso e, como a maioria dos atletas mora longe da família, os parentes não tinham como interferir nisso e os jogadores seguiam sem escolaridade”.

     A consciência sobre a formação integral do atleta e a melhora da sua performance foram decisivos para que os clubes mudassem de postura. Além disso, aqueles que procuram estudar uma segunda língua, por exemplo, acabam valorizados economicamente na hora de serem negociados com clubes estrangeiros.

 

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O nível de escolaridade lá e aqui

     Se no Brasil, a “terra do futebol”, os jogadores profissionais têm, em sua grande maioria, o ensino médio completo, no exterior a coisa muda de figura. Pelo menos na Europa e nos Estados Unidos.

     Marques relembra quando o jogador Roque Júnior comentou, num bate-papo, que todos os seus colegas do time europeu tinham nível superior completo. E aqueles que não haviam frequentado as aulas presenciais apelaram ao ensino à distância (EAD). “Por lá o atleta consegue treinar duas vezes ao dia e assistir a aula à noite. Há outras formas de conclusão dos ensinos médio e universitário que são adequadas à formação do atleta”, explica.

     Nos Estados Unidos, a profissionalização é ligada à universidade. Tanto que, em diversas modalidades, o atleta entra para a universidade e só depois se torna um atleta profissional.

     Para Maurício Marques, é preciso, no Brasil, haver adequação da vida esportiva do jogador de futebol profissional com a rotina escolar, de forma que a reposição de aulas seja combinada e o jogador possa, durante os campeonatos, dar continuidade aos estudos, mesmo com tantas viagens.

     “Existem estudos que indicam que, ao ter uma formação, o atleta consegue ter um planejamento mais completo da sua pós-carreira esportiva, ter uma outra opção. Tem jogador que para de jogar e fica sem perspectiva e o nível de escolaridade está diretamente ligado a esta questão”, conclui Marques.

 

Profº Fernando Alves Firmino defende o desenvolvimento intelectual junto ao treinamento esportivo

     Profissional de Educação Física, treinador, palestrante e jornalista a 18 anos, Fernando Alves Firmino sempre lutou para que o desenvolvimento da capacidade intelectual, ou como muitos dizem, nível de estudo acadêmico estivesse aliado ao treinamento do atleta.

     Sua ideia é muito simples, nosso corpo é composto por células, músculos, estruturas das mais diversas e todo o controle esta centralizado em um único lugar...o cérebro.

     Se o treinarmos constantemente a resposta as situações de jogo, resistência a pressão e situações adversas se torna maior. Estudos comprovam a eficácia de estímulo cognitivo e resposta muscular, pois quanto mais aguçado estiver o raciocínio maior será a velocidade de resposta e ações que o atleta pode vir a ter, tal como jogadas individuais e passes decisivos em uma partida.



Consultoria Técnica: Márcio Santos

Por Jornalismo Portal EF