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Nílton Santos, a eterna enciclopédia do futebol

 

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     No dia 27 de Novembro de 2013, o Brasil e o Mundo perderam um gênio...Nílton Santos, a Enciclopédia do Futebol nos deixou...foi jogar ao lado de Garrincha, Barbosa entre tantos craques.

     Nílton era um daqueles personagens que suas entrevistas se confundiam com o imaginário dos torcedores, com suas fantásticas histórias, além de ter sido um dos maiores laterais da história do futebol mundial, foi também um exímio contador de histórias.

     Talvez o melhor amigo de Garrincha ele nos encantou, junto com o Botafogo...seu único clube. Não tive o prazer, a honra de vê-lo jogar tão pouco de conversar com ele...mas sempre fui encantado por sua inteligência e carisma.

     Me emociona escrever, falar sobre Nílton Santos, pois quando se fala de um gênio, um jogador que esteve em quatro Copas do Mundo (1950, 1954, 1958 e 1962), uma vez vice-campeão do mundo e duas vezes campeão mundial...é de arrepiar. Ele viveu os dois extremos da história do futebol brasileiro, a dor da perda do título em casa em 1950 sob o olhar de 199.000 torcedores no Maraca e a glória de ganhar duas copas do mundo ao lado de gênios como Pelé, Garrincha, Mauro, Belini, Dejalma Santos, Zagallo entre tantos.

     Confira abaixo em uma coletânea feita pelo portal UOL ESPORTE alguns momentos marcantes de Nílton Santos.

1950 - Profecia durante o Maracanazo:

 

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     Novato em seleção, Nilton Santos esquentou o banco durante a Copa de 50, na reserva do truculento Bigode – aquele que tomou um vareio de bola do uruguaio Alcides Ghiggia na partida decisiva. Isso mesmo com o lobby de Zizinho, o craque do time.

     Em vida, Nilton sempre reclamou que o técnico Flavio Costa não gostava de seu estilo.

    "Ele era mandão à beça e eu nunca gostei dele. Primeiro ele implicou com a minha chuteira, que era macia. Ele achava que jogador de defesa tinha que jogar com chuteira de bico duro. Então eu fiz uma brincadeira, falei que eu não precisava dar chutão na bola porque não tinha raiva dela. Ele ficou bravo e não me colocou no time. Sabia com certeza absoluta que não ia jogar nunca", disse o lateral em entrevista ao UOL em 2002.

     Na célebre final com o Uruguai, Nilton Santos abandonou o gramado do Maracanã em direção aos vestiários no momento do empate dos adversários. A igualdade parcial de 1 a 1 ainda dava o título ao Brasil, mas o botafoguense depois revelou que pressentiu naquele instante que a impensável tragédia viria a acontecer. Sozinho, não viu o gol histórico de Ghiggia.

 

 

1953 - O PRIMEIRO TREINO DE MANÉ

 

 

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     Existem mil e uma lendas a respeito do famoso primeiro treino de Garrincha no Botafogo. Se todo mundo que disse estar em General Severiano naquela tarde falasse a verdade, o acanhado estádio do clube precisaria ser do tamanho do Maracanã. 

 

     Mas a verdade é que o menino de pernas tortas realmente ridicularizou o melhor lateral esquerdo daquela época. Garrincha pôde treinar graças aos insistentes pedidos do jogador Arati com o técnico Gentil Cardoso.

 

     A lenda diz que Mané, no time reserva, colocou uma bola entre as pernas de Nilton Santos logo no primeiro embate. A versão mais aceita, no entanto, ignora o drible, mas relata que de fato Garrincha fez o célebre lateral comer poeira o treino todo.

 

     "Gentil, contrata esse garoto logo porque nunca mais quero jogar contra ele", teria dito Nilton ao treinador botafoguense. Nos anos seguintes, o lateral viraria o melhor amigo do mito da ponta direita.

 

 

1954 - ACABANDO COM A GREVE DE FOME DE DIDI

 

 

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     Didi era quase sempre o cara que mandava nos times em que jogou, com exceção do Real Madrid, onde foi boicotado por Di Stéfano e companhia. Palavras e atitudes do talentoso meia eram lei. No entanto, fora dos campos que dava as cartas era a geniosa esposa Guiomar.

 

     Durante os treinos na Suíça para a Copa de 1954, Guiomar foi proibida de visitar a concentração da seleção e provocou um fuzuê. O craque Didi decidiu então entrar em greve de fome.

 

     Coube a Nilton Santos demover o meia: "você está aqui para treinar e jogar, consequentemente queimar carvão. Se você não se alimentar, não vai aguentar. Apoio você, não conto a ninguém, mas vou começar a roubar comida no restaurante e trazer para você".

 

     Assim, com a ajuda de um casaco grande, Nilton abastecia os bolsos para garantir as refeições de Didi.

 


1958 - GOL EM COPA SAIU APÓS INDISCIPLINA

 

 

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     Até a Copa da Suécia, o lateral que ousasse ir além de suas funções de marcação era considerado quase um subversivo. Mas Nilton Santos foi chamado de louco pelo técnico Vicente Feola quando disparou para o ataque logo na partida de estreia contra a Áustria.

 

     Eram quatro minutos do segundo tempo, e o Brasil já vencia por 1 a 0. Nilton recuperou uma bola na defesa e avançou, acompanhado pelo olhar desesperado de Feola. O treinador gritou para seu lateral voltar, mas o botafoguense recebeu de Mazola e seguiu em disparada até tocar na saída do goleiro.

 

   Na volta para a defesa, território de onde não poderia sair, Nilton Santos ouviu um elogio comedido de Feola. O legado dos laterais brasileiros começava a mudar a partir dali.

 

 

1962 - MALANDRAGEM HISTÓRICA CONTRA A ESPANHA

 

 


     Um ato de malandragem de Nilton Santos mudou a história da seleção na Copa do Chile. No último jogo da fase de grupos em Viña del Mar, entre Brasil e Espanha, quem perdesse voltaria para casa. Já no segundo tempo os espanhóis venciam por 1 a 0 e tiveram um pênalti legítimo ignorado pela arbitragem.

 

     Enrique Collar foi derrubado por Nilton Santos dentro da área. No entanto, antes de a arbitragem assinalar a infração, o brasileiro ergue os braços e dá dois passos adiante, sutilmente, conseguindo transformar o pênalti em uma falta fora dos limites da área.

 

     O resto é história. Substituto de Pelé, lesionado, Amarildo fez dois gols e virou o placar para o Brasil. Depois de bater a Espanha, o time de Aymoré Moreira seguiu avançando até conquistar o bicampeonato em cima da Tchecoeslováquia

 

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Confira abaixo a lista dos títulos de Nílton Santos:

 

Botafogo
Torneio Rio-São Paulo: 1962 e 1964
Taça dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo: 1961
Campeonato Carioca: 1948,1957,1961,1962
Torneio Início: 1961, 1962 e 1963
Torneio Municipal de Futebol do Rio de Janeiro: 1951

 

Torneios Internacionais
Torneio Pentagonal do México: 1958
Torneio Internacional da Colômbia: 1960
Torneio Internacional da Costa Rica: 1961
Torneio Pentagonal do México: 1962
Bolívia Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz: 1964
Torneio interclubes do Suriname: 1964
Torneio Governador Magalhães Pinto: 1964
Torneio Triangular de Porto Alegre: 1951

 

Seleção Brasileira
Copa do Mundo: 1958,1962
Campeonato Sul-americano: 1949
Taça Oswaldo Cruz: 1950, 1955, 1956, 1958, 1961, 1962
Copa Rio Branco: 1950
Campeonato Pan-americano: 1952
Taça Bernardo O'Higgins: 1955, 1959, 1961
Taça do Atlântico: 1956, 1960