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Organização tricolor supera pressão do Atlético e Grêmio tem enorme vantagem na final da Copa do Brasil 2016

 

 

     A primeira partida da final da Copa do Brasil 2016 marcaria o início do fim de um longo jejum para Atlético-MG ou Grêmio. O lado mineiro buscava abrir vantagem num Mineirão lotado pra quebrar a sina de não ter dois títulos nacionais em sua história, enquanto o tricolor pretendia levar vantagem no jogo da volta para terminar uma seca de 15 anos sem uma taça.

    Como já era esperado, a organização gremista se fez valer acima da alta qualidade ofensiva do Galo. Com os garotos Pedro Rocha e Everton decidindo, não adiantou Gabriel marcar e a pressão final, mesmo com um mais. A vantagem gaúcha é muito boa e há quem trate da final já decidida.

    Na próxima quarta-feira, a Arena Grêmio certamente estará lotada e pulsante para empurrar o tricolor na busca do penta da Copa do Brasil.

Domínio do Grêmio e vitória parcial justa

     Desfalcado nos três setores do campo, o Galo contava com a força da torcida para se impor no começo do jogo e buscar uma importante vantagem. Ainda que o gol não saísse, a pressão psicológica seria importante. O Grêmio já vinha prevenido da partida contra o Cruzeiro, em condição parecida com a atual.

     Tendo um meio de campo mais pesado, mas muito mais organizado em campo, o time tricolor pouco sofreu nos minutos iniciais, e ainda conseguia descer ao ataque de forma limpa e eficiente. Douglas tinha liberdade pelo meio, flutuando entre os volantes e conseguindo ligar o veloz Pedro Rocha. Já Luan saía muito da área e confundia a zaga alvinegra. Foi dele a primeira boa chance, em chute de fora pra defesa de Victor.

     A dificuldade de defender do Galo evidenciava a desorganização do time. Raros foram os momentos de ataque, vindo apenas em chutes de fora de Maicossuel. A defesa bem postada do Grêmio só falhou uma vez, quando tentou sair tocando, Cazares desviou e Robinho pegou de primeira chutando por cima.

     A torcida local tentava empurrar, mas a partida era do Grêmio. Quando o time do Galo acertou a marcação em Douglas, foi a hora dos volantes tricolores aparecem. E Maicon foi cirúrgico, ao aproveitar erro de saída do rival, enxergar a entrada em diagonal de Pedro Rocha e enfiar na grande área. O jovem fez que ia chutar, deu um corte sensacional em Gabriel e finalizou de canhota. Um golaço que fazia justiça pelo que foi o jogo.

     O gol deu ainda mais tranquilidade ao time gremista, que passou a trocar mais passes no meio e teve ainda grandes espaços. Pela direita, Edílson levava a melhor sobre Fábio Santos, tanto que num lance individual, ele cruzou para Luan, mas o jovem demorou demais para finalizar e foi travado por Gabriel.

     O final da primeira etapa cresceu em emoção. Isso porque o Galo saiu mais e aproveitou de erros pontuais da defesa gaúcha. Numa bola alçada, Júnior Urso dominou contra dois e bateu de primeira na pequena área. Marcelo Grohe fez um milagre impressionante. Logo na sequência, outra enfiada de Maicon, mas Luan chutou cruzado e ninguém se aproveitou.

     O segundo gol ficou muito perto de acontecer, quando Luan deixou Pedro Rocha livre, em lance parecido ao primeiro gol. Mas agora ela veio pingando e o tapa por cobertura só não entrou porque Leandro Donizete salvou debaixo da meta. E ainda nos acréscimos, um contra-ataque de três contra dois parou em Victor, em mais uma chance de Pedro Rocha, melhor jogador do primeiro tempo. 

Emoção e vantagem enorme

     Sem mudanças, o segundo tempo teve o princípio parecido com o anterior. O Galo se soltava ao ataque, mas esbarrava na falta de qualidade. A diferença ficou logo no começo, já que Pedro Rocha resolveu levar toda a zaga mineira na força e isso o deixou na cara do gol. Um tapa na bola e festa gremista. 2 a 0 no placar. Na comemoração, o jovem tirou a camisa e levou amarelo.

     Pouco tempo depois, com o Atlético MG morto psicologicamente, Pedro Rocha resolveu querer por emoção na partida. Sem condições de jogo, o atacante resolveu matar um lance ofensivo pela direita, tomou outro cartão e acabou expulso. Era o que precisava para o time do Galo renascer.

     Se falta organização e criatividade, sobrava vontade. A tona que ditou o ritmo do Atlético MG no ano voltou. A pressão desorganizada, bolas altas e alta qualidade individual fez o time crescer e empurrar o Grêmio na defesa. E num escanteio, o jovem zagueiro Gabriel apareceu pra meter um sem-pulo lindo e fuzilar Marcelo Grohe. Era o que precisava para a partida renascer.

     A pressão era apenas numérica. Faltava quem pensava e o time alvinegro não funcionava, principalmente porque as mudanças de Marcelo Oliveira não surtiam efeito. Chegou-se ao ponto de colocar Marcos Rocha no meio-campo. Enquanto do outro lado, Renato era ousado e colocava Everton na vaga de Douglas, principalmente para manter a velocidade ofensiva e ajuda na marcação pela esquerda.

     E a ousadia deu resultado. O ótimo Pedro Geromel batalhou e recuperou bola perdida pela direita. O zagueiro avançou pelo corredor livre, de cabeça erguida, com espaço e viu a passagem do garoto Everton por dentro da zaga. O cruzamento do xerifão parecia de um experiente meia-armador e o Everton se jogou na bola, de carrinho, mandando um míssil no fundo do gol atleticano. Silêncio no “Eu Acredito!” mineiro.

     A vantagem é enorme, o Grêmio tem uma estrutura de jogo e chega com o mental mais forte, mas não se despreza a qualidade ofensiva do Galo. A segunda final promete e muito. 

Por: Diego Luz

 

Gremio Copa Brasil Foto Lucas Uebel 01223112016

 

Atletico Copa Brasil Foto Bruno Cantini 00423112016