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Cadê o nó tático do futebol?

Estadio EUA novembro 2015 ESPORTESNET 001

Por: Profº Fernando Alves Firmino - Mtb: 71668/SP

     O primeiro ponto que precisamos compreender é a evolução das táticas. Nos idos de 1860 até 1871 a tática mais usual era o 1-1-8 evoluindo para o 1-2-7, como percebe-se, extremamente ofensivo.

     Com o passar dos anos, muitas equipes e seleções perceberam dificuldades para conseguir jogar, até que com a mudança na lei de impedimento no fim dos anos 20 (a partir daquele momento um atacante teria de ficar atrás de dois homens de defesa e não de três como era anteriormente) o professor de geometria e treinador do Arsenal Herbert Chapman armou um esquema que mudaria o futebol e seria base de praticamente todas as equipes do mundo. O WM (3-2-2-3 ou até 3-4-3) consistia em três defensores - sendo dois laterais e um zagueiro -, dois meias de arranque, algo como os volantes, e dois enganches ou meias armadores. Na frente, dois pontas e um centroavante, a colocação dos atletas lembrava um W e um M, por isso o nome da formação. Ainda mais interessante foi que nessa estratégia foi colocado um quadrado mágico no meio, não pelos atletas serem excepcionais, e sim por que a forma do meio campo poderia ser mudada de acordo com a necessidade do time, um meia de arranque poderia ir ajudar na armação e vice-versa.

     Este esquema aliado com a mudança citada anteriormente na regra do jogo causou um furor entre os treinadores de futebol.

     Não vou me prender as demais mudanças no período, pois quero trazer alguns pontos chave para a discussão e o pensamento dos colegas.

     Muito tempo depois, la na Copa do Mundo de 1962 no Chile, apareceu o 3-4-3, o famoso esquema tático com líbero, sempre disposto a cobrir as jogadas nos lados do meio de campo. Com isto o volante poderia ficar junto aos meias armadores para maior movimentação da equipe.

     Após vieram os conhecidos 3-5-2 e o 4-4-2, 4-2-4(usado pelo Brasil em 1958), 4-3-3.
Todos os esquemas táticos são funcionais, desde que nos lembremos de uma frase de Josef "Sepp" Herberger, treinador da seleção alemã de 1936 a 1942 e da Alemanha Ocidental de 1950 a 1964, sendo campeão do mundo em 1954. Ele disse uma vez sobre qual esquema tático seria ideial e soltou a celebre frase: "Atacar e defender com maxima eficiência".

     A partir do exposto, devo lembrar que não há nada de novo em matéria de formação tática das equipes no mundo. Muito se fala de Guardiola, que revolucionou com seu time de toque rápido e talentoso, mas o Corinthians com Parreira em 2002, time que perdeu a final do Campeonato Brasileiro daquele ano, mas que mostrou um trabalho tático incrível com uma equipe que tocava a bola de forma rápida e ofensiva, coisa que muito se fala de Guardiola.

     Uma das grandes revoluções que aconteceram no futebol e que fizeram com que algumas equpes consideradas pequenas viessem a equilibrar o jogo, foi a evolução da fisiologia esportiva que a partir dos anos 70 e principalmente no final dos anos 80 e início dos anos 90 mudaram muito a forma de atuação dos clubes atuarem. Pois com o aumento da capacidade do atleta em percorrer o campo, a cobertura das jogadas, lançamentos e jogadas em profundidade ganharam muito mais espaço na preparação das equipes.

     Após tudo isto, vamos ao nó tático, que é uma expressão utilizada de qualquer jeito pela impressa do país e do mundo. Nó tático deve ser quando o treinador de uma equipe consegue armar seu time e preparar, condicionar seus jogadores para que possam atuar de forma precisa contra um time, superior tecnicamente, conseguindo garantir ofensividade na partida. O Corinthians de 2015 e o Palmeiras de 1996 são os melhores exemplos deste tipo de trabalho, assim com o Brasil de 1994, tão criticado pela mídia mas que atuava de forma previsa frente aos seus adversários. No time de Tite, campeão brasileiro de 2015, a formação das linhas do time fazem que com que sempre haja um setor livre para atuar com a bola, quando esta é retomada, deixando assim o contra ataque mortal e ao adversário não sobram opções para conseguir vencer a defesa. No Palmeiras de 1996, um dos times mais incríveis já montados no mundo nos anos 90, foi montada uma tática de forte marcação mas com jogadores tecnicamente muito bons, como Djalminha, Muller, Evair que faziam o time, além de conseguir anular o adversário, marcava muitos gols. O Brasil de 1994 não era rápido, mas tinha uma linha bem montada com Dunga, Mauro Silva sempre próximo ao Zinho, que era a peça chave do esquema tático, ele era o jogador que "dava o tempo" para que o excepcional Romário e Bebeto pudessem ficar no melhor posicionamento para o contra ataque brasileiro, quase sempre mortal, como contra Camarões, Suécia e Estados Unidos.

     Por isso lamento dizer,que na minha visão, não existe nenhuma revolução tática, o que vemos é a capacidade do treinador que sabe olhar para seu elenco e aproveitar da melhor forma possível as características individuais a fim de montar uma equipe eficiente.

No Tatico Fernando Alves Firmino ESPORTESNET 2015