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Muricy só é a ponta do iceberg

Muricy SPFC ESPORTESNET Rubens Chiri SaoPauloNet 2015

 

Por: Profº Fernando Alves Firmino - Mtb: 71668/SP

     A queda de Muricy tem um outro lado que é maior do que a saída do vitorioso treinador.

     Muricy deve mesmo é cuidar da sua saúde, mais importante do que os problemas tricolores e que podem ser contornados, mas a guerra instaurada nos últimos anos no São Paulo vão além do treinador. Juvenal que tem um passado vitorioso e importante na história do tricolor não tinha mais condições de acompanhar o clube e cuidar dele, fazendo inumeras besteiras em prol de sua vaidade e falando em vaidade, quando ele perde o poder quem assume? Carlos Miguel Aidar, sim ele mesmo, aquele que nos anos 80 criou um dos maiores problemas do futebol nacional, o clube dos 13, que eram 29, 45 em alguns momentos e que só bagunçou nosso futebol e com Aidar na presidência do clube, não mudou muito, continuaram a busca incessante para aparecer mais que o clube, ser a estrela maior.

     E o São Paulo que nos anos 80 e 90 foi sinonimo de inovação e referência em gestão e trabalho bem feito, virou uma sucata administrativa, parou no tempo não soube acompanhar e viu seus ultrapassados rivais, Corinthians e Palmeiras virarem sinônimo de trabalho bem feito, gestão moderna e profissionalismo, nossa que tempos hein? Escrevo sobre isto, não por nada, mas há alguns anos atrás na minha juventude vi um pouco desta vanguarda tricolor, quando através de dois amigos, fiz toda a recuperação de uma lesão que tive no futebol no REFIS tricolor, sensacional, além de que meus dois cursos da FIFA foram realizados utilizando a estrutura do clube.

     O "sucateamento" político do Tricolor Paulista vem dando fortes reflexos em seu futebol, com apostas equivocadas e falta de desenvolvimento de trabalho e a guerra entre Aidar e Juvenal vem atrapalhando e muito o potencial de um clube tão grande e de tanta história.

     Muricy merece mais por sua história no tricolor, mas é certo que o São Paulo precisa se reiventar e voltar a focar em trabalhar, oposição é bem vinda em todo lugar, quando foca somente nos reais problemas do clube e não em vaidades pessoais.

     Aidar já tem em sua índole este terrível problema desde os tempos de Clube dos Treze e Juvenal infelizmente nos últimos anos também ficou assim, escândalos estouram no Morumbi, como posto de gasolina que pertence a conselheiro do clube e tem contas absurdas com o mesmo, briga entre fornecedoras de material esportivo, empresas que anunciam reformas e obras no estádio Cícero Pompeu de Toledo e depois tudo é cancelado, além de muitos outros que são de conhecimento dos sócios.

     A história do São Paulo é maior do que estes que atrapalham o clube e torcemos que tudo se resolva no campo das ideias, sem a empáfia dos pseudo dirigentes e das facções criminosas que sempre rondam o clube disfarçados de torcedores. 

     Muricy é grande e sempre provou isto, esta sua última passagem não mancha seu currículo em nada, seus números no tricolor provam isto: 473 partidas. Desde que retornou ao clube, ele dirigiu a equipe em 109 jogos, com 58 vitórias, 22 empates e 29 derrotas. No período, ele foi vice-campeão Brasileiro no ano passado, mas o objetivo mais exaltado pelo treinador foi a fuga do rebaixamento em 2013.

     O que disse Muricy sobre a saída:

    “O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, o Vice-Presidente de Futebol, Ataíde Gil Guerreiro, e eu nos reunimos agora à tarde e decidimos pela minha saída do clube. Estou com problemas de saúde, devo fazer uma cirurgia na próxima semana e preciso desse tempo que o São Paulo não tem no momento. Quero agradecer ao presidente, aos jogadores, os funcionários do clube, os meus companheiros de comissão técnica e, principalmente, aos torcedores que entendem esse meu momento. Preciso nesse momento dos devidos cuidados com a minha saúde. Não é um adeus, é um até breve pela relação que tenho com o São Paulo Futebol Clube. Desejo muito sorte a todos" Declarou em nota oficial.

 

     Confira abaixo a nota oficial do São Paulo sobre a saída de Muricy:

     "Uma reunião nesta segunda-feira (6), na capital paulista, encerrou a terceira passagem de Muricy Ramalho como técnico do São Paulo. O comandante tricolor, o Presidente do Clube, Carlos Miguel Aidar, e o Vice-Presidente de Futebol, Ataíde Gil Guerreiro, decidiram em comum acordo a saída do técnico, cujo contrato se encerrava em dezembro. O treinador participou do encontro junto com os dirigentes.

     "Hoje, logo após o almoço, o Aidar e eu tivemos uma longa reunião com o Muricy. Eu queria de toda maneira que ele continuasse conosco. Ele estava fazendo um bom trabalho, era bom pra nós, mas a gente sentia que ele estava debilitado", afirmou o Vice-Presidente de Futebol, durante a coletiva de imprensa, que acrescentou.

     "Ele estava numa insegurança total, não sabia se servia ao clube, a família. Então combinamos com ele: ele sai agora, concordamos que saia, porque tem as portas abertas sempre aqui. Ele fez excelente trabalho. É uma saída tranquila. Vamos seguir, mas sem o comandante. Nós efetivamos o Milton Cruz, por três, quatro jogos. E vamos buscar um técnico, até ouvimos o Muricy, para continuar o trabalho que ele vinha fazendo", completou.

     Tricampeão nacional com o time são-paulino, em 2006, 2007 e 2008, Muricy retornou ao clube com a missão de tirar o São Paulo da zona do rebaixamento em 2013, e teve êxito. Em sua terceira passagem pelo clube como técnico, desde o dia 12 de setembro de 2013, na vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta, ele comandou a equipe em 109 jogos, com 58 vitórias, 22 empates e 29 derrotas.

     O auxiliar técnico Tata, seu companheiro há anos, também não integrará mais a comissão técnica. Com 472 jogos, Muricy é o segundo técnico que mais dirigiu o Tricolor na história, atrás apenas de Vicente Feola, com 533. No total, foram 255 vitórias, 123 empates e 94 derrotas no banco de reservas do São Paulo: 62% de aproveitamento.

     Revelado nas categorias de base do São Paulo, Muricy foi auxiliar de Telê Santana nos anos 90, antes de assumir o comando do time na década passada. A trajetória do treinador no comando do time começou em 1994, quando Telê Santana deu a oportunidade ao seu então auxiliar de dirigir o Expressinho, campeão da Copa Conmebol daquele ano.

     Com o afastamento do Mestre, Muricy assumiu o time principal e foi campeão da Copa Master Conmebol de 1996. No ano seguinte, em 1997, acertou a sua saída, mas deixou as portas abertas e pôde retornar nove anos depois para levar o Tricolor a um feito inédito na história do clube: o Tricampeonato Brasileiro (2006, 2007 e 2008).

     Durante o período em que dirigiu a equipe são-paulina, de 2006 a 2009, o treinador disputou 364 jogos. Foram 197 vitórias, 101 empates e 66 derrotas (629 gols marcados e 353 sofridos). Já em sua última passagem, além de garantir a permanência da equipe são-paulina na elite da competição nacional, o comandante foi vice-campeão brasileiro em 2014 e recolocou o Tricolor na Copa Bridgestone Libertadores da América deste ano.

     Enquanto aguarda a definição do novo técnico, o São Paulo será dirigido interinamente pelo coordenador técnico Milton Cruz. Desde 1997 no clube, o ex-atacante assume o time pela 15ª vez. Em 25 jogos, foram 11 vitórias, seis empates e oito derrotas. A última partida dele no comando da equipe foi durante a disputa do Torneio Super Series, em Manaus, no início da temporada, no revés para o Flamengo por 1 a 0.

     "O Milton será o técnico por três, quatro jogos. Muricy, que é são-paulino, quer o bem, achava que era momento de dar um choque no grupo, uma novidade. Falou que o grande problema dele, de fazer o que queríamos, era a saúde dele. Tem os problemas, precisa de cirurgia", finalizou Ataíde Gil Guerreiro. "